domingo, 20 de janeiro de 2013

Fome...

Tenho essa fome, essa fome incerta dos teus olhos, da tua pele imprecisa, da tua boca entre as sílabas, do ar que te escapa, do espaço inerte perdido em teus braços.

Tenho fome de colher teu riso entre minhas mãos, tocar teus dentes com a língua, cheirar teus lábios logo que amanhece, enegrecer teus cílios no pousar do tempo, conduzir teu corpo ao abandono lento e morno no fundo de mim. 

 
Tenho fome de te ensolarar as tardes, de compartilhar contigo o vento triste das velas, de cometer alegrias tão ínfimas quanto as frestas dos dedos e nos achar naufragados um no outro de volta à superfície e ao sol. 

Tenho essa fome úmida da entrega completa, dos portos vazios, essa fome submersa das águas, de uma sede renascida e refundada em salivas misturadas, maresia, madrugada alta num silêncio contido de mar.

Tenho essa fome itinerante do corpo, uma febre imprecisa calcinante e urgente, terra arada sem chuva, lua nova, cravos de fogo, rosas de sal, viço latente, espera e presente, insaciar.


~ Ticcia

Um comentário:

Amor A Base de Tudo disse...

Hummm!!!!Gostei muito, muito bem escrito...parabéns pelo texto.e as imagens.


Em poucas palavras se diz tanto.


És uma presa fácil aos olhos dele, e não te queres salvar...
Aproveita cada momento, e cada instante de loucura e paixão, porque a vida é feita de momentos assim.