terça-feira, 27 de março de 2012

Se...



Se...

Se eu conseguisse alguma vez identificar o que me fazes sentir.

Se eu pudesse por um só momento saber o que estás a pensar.

Se fosse possível esquecer-me de mim e entregar-me ao que apenas vislumbro, mas que me revolve as emoções e as faz submergir em águas revoltas, espalhando-se nos braços abertos de corais tão belos quanto fatais.
 
Se me fosse permitido mergulhar contigo nas águas de um oceano sem fim e, de dedos entrelaçados nos teus, presos com algas, deambulasse pelo fundo do mar em busca de tesouros perdidos.
 
Se as palavras a mais pudessem ser apagadas da memória e não ficassem a calcar sentimentos em constante turbulência, eu sorriria mais uma vez só para ti e, contigo, partiria à descoberta do eu que perdi na última viragem do pensamento.
 
Se eu soubesse o que se esconde do outro lado do espelho, cravaria nele o punhal da ânsia, partindo-o e desnudando o segredo encoberto.
 
Se eu não me penalizasse por palavras ditas e não ditas, não segredadas, rasgadas, sentidas, choradas.
 
Se eu...
Se tu...
Se...

© Sutra 2006





Postado por Ayesk@

2 comentários:

FilipeSan disse...

Oi...
Aqui também está uma delicia!!!
Desculpe a demora pra vir comentar...

Beijos molhados!!!

Estou levando seu banner, ok?
E agora voltarei mais vezes!

deisinha disse...

Nossa!Essa poesia deixou-me bastante inspirada nesta tarde!ai ai!!Bjks