quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Solidão


















Sabe...
Durante a noite a chuva caia num triste murmúrio, a noite avançava, eu não dormia e você não saia do meu pensamento, por fim entreguei-me ao sono profundo. Ao amanhecer, porém, o dia estava lindo, tão vivo, tão cheio de esperanças que ao contemplar o sol avermelhado surgindo no horizonte e a brisa matinal tocando suavemente no meu rosto, pensei novamente em ti. Lembrei-me do teu sorriso, do teu olhar, da minha devoção e do teu amor. Pensei ser uma linda manhã para te visitar neste dia de aniversário. Porém, agora até o sol perdeu seu brilho, nuvens escuras se formam, prenunciando chuva novamente.

Enquanto me dirigia ao seu encontro, nos meus vagos pensamentos me veio à memória a imagem viva do menino que um dia partiu, deixando sua terra, buscando um novo destino e na terra estranha, ao relembrar os felizes momentos de seu antigo lar, baixava os olhos comovidos para ninguém lhe ver chorar. Porém pouco a pouco se rendeu aos encantos da terra prateada que o acolheu como a mais um de seus filhos.

Num abrir e fechar de olhos o menino tornou-se moço e conheceu o verdadeiro amor, se encheu de esperanças e se entregou de corpo e alma à esta paixão. Mais tarde entendeu que a sua felicidade era viver de saudade. Pois ele não sabia que amar era assim.

Marcado pela tristeza, desesperado e magoado fez versos apaixonados, falou de rios e cascatas, citou o oceano majestoso e dedicou horas escrevendo sobre o amor mais sublime. Ainda torturado pela angustia navega pelos mares da esperança buscando uma nova aurora.

Sim, sou eu. Sou eu o menino que recebeu a missão de amar nesta vida apenas uma vez e sofrer por toda uma eternidade.

Agora estou aqui, diante ti remoendo minhas mágoas. Que egoísta eu sou. Mas quero que me entenda, não é mais tão fácil sorrir diante do teu sorriso, diante dos teus olhos que agora fitam os meus com ternura. É difícil sorrir quando vejo teu rosto tão perto e ao mesmo tempo tão distante que jamais poderei alcançar. Você é a causa da minha solidão, desta mágoa que me sufoca dia após dia.

Andei entre muitos prazeres, mas em nenhum deles eu senti seu cheiro, em nenhum deles senti o seu calor, não vi os teus olhos e nem vi o teu sorriso. Busquei conforto no calor de mil amores, no desespero de apagar tua lembrança, mas não encontrei o teu perfume em outras flores. No meu grande desespero muitas lágrimas rolaram, porém quero que saibas que te amarei por toda minha vida. Serei sempre o seu amor, querida.

Sinto saudade do caminhar no bosque nas tardes de verão, onde o trinar das aves soavam como a mais nobre sinfonia que a natureza compôs especialmente para duas almas apaixonadas.

Agora, aos meus ouvidos até mesmo os passarinhos do bosque se calaram, eles que cantavam somente para nós, imagino que não entenderam a sua partida prematura e de tanta tristeza perderam a inspiração. Não entendem porque hoje, caminho triste e solitário pelas alamedas onde outrora caminhávamos abraçados. Assim como eu, acredito que ainda se recusam a entender.

Por onde quer que eu ande, ou me encontre, sinto tua imagem me acompanhar, como um ser invisível, segue meus passos e através do vento ouço sua voz me dizendo: Te amo, Te amo...

Você está em todos os lugares; é a lua brilhante que espalha no espaço a claridade, você é o sol com seus raios refletindo na imensidão, é a noite escura cravejada de estrelas cintilantes, é o mar misterioso que demonstra poesia ao refletir em todas as suas ondas o teu semblante, você está dentro da minha alma.

Que doce saudade meu anjo adorado, da casa de praia, escondida naquele lindo recanto dos mares do sul. Naquela casinha, na noite escura, o murmúrio do mar e a brisa marinha festejavam baixinho a nossa união, corpos entrelaçados, suados, exalando o odor perfumado da nossa paixão, entre caricias e beijos, matávamos os nossos desejos, teus lábios murmuravam em forma de prece e você adormecia sobre o meu coração. Naquela casinha, no paraíso, a sorte me presenteou com tudo que sempre quis, nada mais eu desejava, pois tinha nos braços você que tanto me adorava. E naquelas manhãs de primavera, o orvalho nas flores e seus pezinhos descalços deixando rastros na areia, eram imagem perfeita do meu amanhecer.

Parece que foi ontem o primeiro beijo, quando fecho os olhos ainda te vejo e sinto no meu peito as batidas de seu coração. Parece mentira que aquele futuro que sonhamos, agora não passa de um pesadelo que persegue a minha existência e nessas idas e voltas da minha saudade, perdi a felicidade e tornei-me um prisioneiro da recordação.

De tudo o que restou, são elas, as meigas lembranças, elas que trazem a paz que meu coração tanto necessita, nelas busco o conforto que a minha alma ainda não encontrou.

Agora, meus dias são vazios, minhas noites são longas e nelas espero desesperadamente o sono que não vem. E nas poucas horas em que durmo, sinto no meu rosto um suave beijo, sonho que é você que está chegando, mas é a brisa que de vez em quando, no abandono vem me visitar

Tal como te prometi, mais uma vez estou aqui, depositando uma flor nesta fria lousa, símbolo das minhas perdidas ilusões, lápide que fere mais que arestas cravadas no coração. Sou um homem que não demonstra fraqueza, mas veja só a ironia da vida, eu que te fiz rir tantas vezes, agora venho a morrer de tristeza, pois perdi a luta para essa dor constante, essa saudade alucinante que eu sinto de você.

A verdade é que nesta nova rota que agora estou seguindo sem a tua companhia, não sei ao certo se é começo, meio ou fim, pois não tenho esperança de nada para levar comigo.

Mais uma vez quero lhe dizer, mais uma vez quero que saibas o quanto ainda te amo, o quanto ainda me faz falta. E sob essa chuva fina e constante que se mistura com as minhas lágrimas, neste instante em que até o céu chora por nós dois, me despeço de ti, alma de ouro que tanto me amou nesta vida. E no silêncio, em silencio, sozinho, daqui partirei mais uma vez envolvido pela solidão. Porém, levando comigo tuas lembranças gravadas no coração.

Adeus companheira de alma criança. Adeus vida minha, meu único amor.


“ Vidas que se acabam a sorrir

Luzes que se apagam nada mais

É sonhar em vão tentar aos outros iludir

Se o que se foi, para nós não voltará jamais

Para que chorar o que passou

Lamentar perdidas ilusões

Se o ideal que sempre nos acalentou renascerá em outros corações ...”

(Luzes da Ribalta)













Por: Dayo_Li 
Postado por Ayesk@


Um comentário:

SexyButterfly disse...

Vc sabe o quanto sou fã e gosto do que o Dayo escreve... Mas solidão, menina, não tá com nada! Ainda mais em quase véspera de aniversário, rss
Seu presente tá quaaaaase pronto, rss

Beijos borboléticos!