quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Mi Buenos Aires Querido


2010 foi um ano melancólico e repleto de dúvidas, depois de muitos anos estou de volta a São Paulo, a cidade onde nasci, mas não foi aqui que eu vivi, não foi aqui que me apaixonei pela primeira vez, não foi aqui que obtive conquistas profissionais. Apesar de São Paulo ser uma das cidades mais acolhedoras do mundo, eu estava longe de ser feliz, descobri que eu não pertencia mais a esse lugar, os anos dourados da minha adolescência ficaram do outro lado da fronteira, juntamente com o maior amor e também a maior dor que um homem pode suportar. 
As vezes, surpreso me pergunto: Porque quero voltar, se em Buenos Aires não reside mais a moça mais linda que eu tanto amei? Não, dela só restam meigas lembranças e um eterno e amargo gosto de fel, mas é lá que eu quero viver o resto dos meus dias. Meus pensamentos diários eram um só:

“Qualquer dia desses pego um avião e vou para a Argentina matar uma saudade, descer em Buenos Aires e ter a felicidade de rever a linda cidade que me amparou, dar um abraço em cada amigo e dizer que estou de volta, agora para ficar. Quero caminhar pelos lindos bosques de Palermo, rever o Rosedal (Jardim das rosas), o rio da Prata com imponência eterna e as noites iluminadas de Puerto Madero e seu cassino flutuante no buque (barco) Estrella de la fortuna.

No Club Araoz, a boate preferida, ao adentrar o recinto, serei novamente recebido com um sorriso por Sayuri Ohata, a linda e elegante japonesinha que inspira os meus mais ardentes desejos. Aqui à distancia eu fico indeciso, preciso voltar muito em breve para ver os portenhos em seu paraí­so e o doce sorriso da flor de Yokohama".

Um ano depois, volto arrependido por ter deixado meu querido Buenos Aires. Na tranqüilidade tive a possibilidade de ver tudo que amo, mas a minha saudade ainda era mais.

Por uma infinita saudade e uma lacuna que não pode jamais ser preenchida, saio em busca de diversão e a primeira idéia é procurar por Sayuri.

Na noite de sexta-feira no agitado clube noturno, meus olhos a procuram entre a multidão, a vejo do lado oposto e me aproximo, os olhos negros e amendoados me olham com surpresa e vejo no seu rosto o mais lindo sorriso que pode haver.

Sayuri caminha em minha direção com elegância e estilo, o simples toque de suas mãos instigam todos os órgãos de meu corpo, seu sorriso cristalino é um convite para beijá-la, sua voz soa como uma canção de ninar. Um abraço apertado e um beijo carinhoso me dão as boas vindas neste meu retorno à capital platina.

Durante toda a noite, desfrutei de sua adorável companhia, naquela noite ela era minha, exclusivamente minha. Já na madrugada ela segura minha mão e entrelaça os dedos entre os meus, me puxa através dos ébrios pares que dançam sob as luzes oscilantes, no hall me abraça e me oferece seus lábios, a beijo com desejo incontido, ela sorri e passa o polegar nos meus lábios para tirar a mancha de batom e num sussurro nos meus ouvidos o esperado convite para o seu apartamento. Naquela noite ela não seria apenas uma acompanhante, seria simplesmente mulher, ela queria se sentir amada e eu notei nos seus olhos o desejo de alguém que há muito não sabe o que é sentir prazer.

Já no seu quarto nos despimos com ares de magia na penumbra da fraca luz de cabeceira, nus, nos abraçamos, nos acariciamos, nos beijamos em silêncio. Sobre seu corpo toco sua pele alva e macia, que se eriça com o toque dos meus dedos, seu corpo mais parece uma escultura divina, talhada por anjos sob a supervisão do Onipotente, logo minha boca está ancorada nos seus lábios sedutores, como um navio no porto esperando o momento de zarpar e navegar sobre todas as ondas de seu corpo.

Nossos sexos se tocam e suavemente se fundem numa perfeita harmonia, o yin e yang, o côncavo e o convexo, Sayuri é a flor iluminada pelo abajur e eu, a abelha em busca do mel.

Com movimentos ritmados e alternados, nos entregamos à volúpia, seu corpo serpenteia em forma de ondas, como o mar raivoso numa noite de tempestade. Procuro conter as investidas para não explodir, quero usufruir cada momento, cada sussurro, cada sensação daquele corpo ofegante e cheio de desejos.

Nossos corpos molhados, no ar a mistura almiscarada de perfume, suor e sexo, o suor escorre por cada um de nossos poros formando brilhantes gotas de cristal. Num momento sou submisso, ela dita os movimentos, noutro sou soberano e imponho as regras e assim combinamos o ritmo perfeito em busca do prazer absoluto que explodindo em jorros como a erupção de um vulcão ativo nos leva ao delí­rio, ao êxtase, de tal forma que nos esquecemos que existe mundo além das quatro paredes.

Meus lábios buscam os seus num beijo frenético, quase alucinado, nossos corpos colados formam uma só figura, ainda trêmulos pelo orgasmo, parecemos buscar no último momento forças para satisfazer também nossas almas sofridas e mutiladas, escondidas nas sombras do passado.

Tombamos lado a lado, cansados, as narinas dilatadas em busca de oxigênio e nossos corações batendo acelerados e descompassados, nos olhamos e sorrimos, estendo meu braço e ela se aconchega, em instantes é dominada pelo sono e ouço apenas o leve som de sua respiração, dormimos unidos e satisfeitos.

Acordo com a luz do dia invadindo o quarto, olho para o lado e a vejo ressonando, imagem estonteante do meu despertar, suavemente beijo seus lábios e sinto seus braços me envolvendo num abraço, me puxando contra si e num desejo ardente, novamente fazemos amor.

Mais tarde, sem nenhum compromisso, saí­mos abraçados como dois que são namorados e pelas ruas de Palermo rimos como duas crianças que se divertem com coisas banais.

Nos despedimos com um "até breve".

Por algumas horas nossos mais obscuros sentimentos foram trancados e esquecidos nas masmorras das nossas memórias.



































* Sayuri Ohata, é uma mulher culta, poliglota que domina cinco idiomas, é brilhante por natureza e não permite que ninguém se apaixone por ela e tampouco se permite apaixonar por quem quer que seja, é uma prostituta de alta classe. Porém, nos meus dias mais infelizes, sempre esteve a meu lado, foi uma das pessoas que me fez ver a vida por outro angulo, por tudo isso, sinceramente, tem o meu mais profundo respeito e admiração.






Escrito por: Dayo_Li

Postado por Ayesk@

6 comentários:

SexyButterfly disse...

Ótima escolha esse conto do Dayo_Li!
Que ele tenha hoje um dia repleto de felicidade...
beijos da borboletinha

Simone butterfly disse...

Que lindo, me emocionei, ai como essa borboleta é manteiga derretida kkkk. beijos ruivinha, boa escolha

Niina disse...

Belo texto como sempre!
Dayo sempre conseguindo nos emocionar...
ótima escolha ruivinha.
Beijinhos

Ayesk@ disse...

Dayo_li tem contos maravilhosos e que muitas vezes nos emocionam!!!
Bjs doces Borboletinha!





Ayesk@

Ayesk@ disse...

Ahhhh voce não é a unica manteiguinha viu, Borboletinha Simone...a ruivinha também se derrete....


Bjs doces carinhosos!!!



Ayesk@

Ayesk@ disse...

Ele merece !!!
Oieee Niina ,amiga loira e linda, obrigada pelo carinho!

Bjs doces !!!


Ayesk@