domingo, 13 de março de 2011

Sob a Luz dos Olhos Teus



Na noite fria eu ouvia o som melodioso do piano, a inconfundível “Sonata ao Luar”, de Beethoven, chegava como um bálsamo aos meus ouvidos. No ponto de ônibus eu tiritava, meu corpo estava gelado, o vento era cortante. Levantei a gola do casaco, enfiei as mãos nos bolsos, segurando os livros em baixo dos braços e me encostei no muro, tentando me proteger um pouco das fortes rajadas devido a ação do vento Zonda. (Zonda é o nome dado ao vento quente e seco de oeste/noroeste que desce acelerado da Cordilheira dos Andes de uma altura de mais de 4.000 metros).
Estávamos tendo um inverno bastante rigoroso e naquela semana as coisas estavam realmente caóticas, com fortes temporais e ventos que ultrapassavam os 90 km p/h, por esse motivo as aulas da faculdade foram suspensas para os próximos dias, aquele, portanto fora o último dia de aula da semana. Entrei no ônibus, ainda ouvindo as belas notas emitidas por aquele piano.
Na semana seguinte, com temperaturas mais amenas as aulas recomeçaram e tornou-se uma rotina ouvir belíssimas músicas enquanto esperava minha condução em frente àquela residência. Aconteceu que na sexta-feira daquela semana saí mais cedo da faculdade e enquanto estava lá parado, passou por mim uma senhora, já idosa, olhou para mim e sorriu me cumprimentando com um aceno de cabeça, abriu o portão e antes que entrasse, perguntei à ela sobre a pessoa que tocava tão maravilhosamente aquele instrumento.
Com um sorriso franco ela respondeu:
- Graciela, minha neta. Você gosta?
- Gosto muito. – Respondi.
Ela deu alguns passos para dentro, se voltou e perguntou:
- Você quer entrar?
Estranhei aquela atitude cordial, afinal é consenso não permitir em nossas residências a entrada de pessoas estranhas, porém segundo ela, já me vira várias vezes ali e sabia que eu era um estudante.
- Eu adoraria. – Respondi, me apresentando a ela.
A segui e ao entrarmos, parei a uns dois passos depois da porta, Graciela estava tocando, aquela senhora foi até ela e disse algo nos seus ouvidos, ela parou de tocar e se levantou, caminhei até ela e minha surpresa foi grande quando ela se virou em minha direção e me estendeu sua mão, Graciela não enxergava, seus belos olhos miravam para a escuridão que nos separava, segurei sua mão e me apresentei, ela sorriu. Tinha no rosto o mais belo sorriso que eu jamais havia visto na minha vida.
Graciela usava um vestido azul de seda colado ao corpo e no rosto uma perfeita maquiagem, como se estivesse saindo para uma festa. Ela tateou e sentou-se no banquinho, puxei uma cadeira e me sentei a seu lado, seus dedos pequenos deslizaram suavemente sobre as teclas, transformando seus leves toques numa bela melodia que envolveu o ambiente. Me senti pequeno naquele momento, mas ao mesmo tempo estava deslumbrado com a beleza da jovem.
Saí de lá com um agradável convite para retornar no dia seguinte.
Na tarde seguinte voltei à casa de Graciela, passei pelo portão e bati na porta, ela mesmo me atendeu e com um belíssimo sorriso estampado no rosto, convidou-me a entrar, parou na minha frente e seus dedos tatearam meu rosto, assim como os meus cabelos, tive um desejo quase irresistível de beijá-la naquele instante.
Tornei-me um freqüentador habitual daquela casa, até que certo dia tomei-a nos braços e a beijei como se fossem os últimos lábios do mundo.
Começamos a sair juntos para restaurantes, cafés e concertos musicais, tornei-me os faróis que iluminavam seus caminhos escuros.
Uma noite fomos a um concerto musical no teatro Colón e quando saímos, caminhamos em direção à um motel (Os motéis de Buenos Aires são em sua maioria urbanos e dispensam o uso de automóveis), contornamos as arvorezinhas que tradicionalmente cercam as entradas dos motéis e adentramos o edifício.
No quarto nos abraçamos com nossos corpos ardentes cheios de desejos e com os lábios colados ao seu ouvido eu sussurrava palavras afetuosas e carinhosas que estremeciam aquele corpo de mulher, em silêncio comecei a despi-la, sentindo nos toques dos meus dedos a pele aveludada que arrepiava aos simples e sutis movimentos. Completamente nus, seus braços me envolveram e seus lábios deslizaram beijando meus peitos com a sutileza do bater das asas de uma borboleta.
Na cama fiquei sobre ela e minha língua navegava nas ondas de seu corpo suado com gosto de mar, sugando seus seios firmes e rosados, minha boca descia através de sua barriga, sempre em direção à vulva que irradiava calor e exalava o irresistível aroma do prazer. Com o rosto entre suas coxas, senti em minha boca a maciez de seu sexo em brasa, minha língua desfila por suas virilhas, mordisco as partes internas de suas coxas e suavemente minha língua desliza pelos grandes lábios, calma e sem pressa, sugando o mel, levando ao delírio aquele corpo que serpenteia de prazer e quando minha língua chega ao seu clitóris, ela aperta minha cabeça contra seu sexo, geme e sussurra palavras desconexas.
Ela me puxa contra si, seus lábios loucos de prazer sugam os meus, com fome, com desejos incontidos, suas mão descem até meu pênis ereto, pulsando na plenitude de sua ereção, seus dedos o apertam e o acariciam, meu sangue ferve, sinto que ela o leva em direção à sua vagina.
Lentamente começo a penetrá-la, sentindo suas unhas cravadas nas minhas costas, meus movimentos tornam-se mais ágeis e em estocadas profundas busco a satisfação no prazer intenso daquele momento, meu pênis entra e sai com fúria louca e como a erupção de um vulcão sinto o líquido jorrar prazerosamente dentro da cavidade nacarada, inundando seus desejos e a levando ao êxtase total, entre gemidos e sussurros, tombamos cansados, suados e exauridos pela volúpia, nossos corpos exalavam um doce cheiro almiscarado. Amanhecemos abraçados.


Graciela e eu mantivemos um relacionamento com sentimentos recíprocos e verdadeiros, nos envolvemos profundamente.
Linda Graciela! Teus olhos iluminam minha alma e meu coração te ama. Como um corpo celeste que é atraído pela órbita de uma brilhante estrela, sinto que cada dia mais sou atraído pela opaca luz dos olhos teus.


** História real de um breve, porém sincero e respeitoso romance.
Dedico este texto à Graciela Rimbaud, eximia pianista portenha.



Escrito por: Dayo Li
 

Um comentário:

Renata Salazar Plothow disse...
Este comentário foi removido pelo autor.