domingo, 13 de março de 2011

QUASE CASANDO





Ele tinha acabado de entrar no banheiro, e ela o aguardava já banhada e pronta. Preferia que tivessem tomado banho juntos, mas não ousara dar a idéia.
Noiva, noiva! Quase casando! Difícil voltar atrás agora com os convites rodando na gráfica. Não que estivesse arrependida...ou estava? Não, isso não! Talvez um pouco frustrada. Naquele momento não sabia ao certo. Se ao menos ele fosse como Marcos!
Ah! quanta diferença pra Marcos! Este é que era homem pra divertir uma mulher na cama! Os amigos o chamavam de Marcão. Até o nome era forte e másculo! Ai! não queria lembrar! Era um cafajeste. Nem dava pra se imaginar casando com um troço daqueles! Coitada de quem se casasse com aquilo! Um galinha, um patife! Ah! era ridículo. E ainda vinha se humilhar depois de tudo que aprontara, o descarado.
- Carona?
- Não! muito obrigada!
- Orgulhosa!
- Pois me deixe!
- Cê tá com o cara errado e sabe disso.
- Me deixe em paz! Já não lhe disse que acabou?!
- Vai dizer que não sente saudades?
- Olha, nem se atreva a falar disso! me esqueça!
- Tanta raiva ainda? Depois desse tempo todo?! Se se arrepender e quiser me dar outra chance, já sabe: tô sempre nas áreas.
Tô sempre nas áreas. Arre! que vulgar!
O ônibus tinha passado e parado longe. Ela havia corrido com os livros apertados aos peitos. Quase podia senti-lo olhando para sua bunda. Antes de pôr o pé no primeiro degrau, tinha dado uma rápida olhada pra trás. Lá estava ele, sentado na moto com o capacete nas mãos, observando-a com aquela sua cara de cachorrinho triste. Não! era cara de gente cínica mesmo! Lá ia ter pena de homem sem caráter!
E que diabos Evangelista tanto faz no banheiro?! Se ao menos valesse a pena depois...
Nossa! que horrível ter pensado isso!
Ai! pra que foi noivar tão rápido?! Melhor ter esperado mais um pouco. Não tinha tanta pressa.
Mas era tarde pra se arrepender. E quem sabe depois o tesão o fizesse se soltar! “Quando vai me pegar de jeito?" Ave! que safadeza ter pensado isso! Será que pegava muito mal insinuar umas coisas? Se tivesse mais coragem pedia pra ele fazer daquele jeito que o Marcos...não, não! Era melhor esperar ele querer, ir com calma. Ele se assustaria com ela. Era tão certinho e bem comportado que era capaz de ficar chocado. Ou então podia fazer assim para ele ter idéias, ou talvez perguntar se...Nossa! não dava! Com Evangelista não dava pra dizer isso! Ai! ia ficar doida! 


 ...Marcos é que jamais seria corno por um motivo desses. Ele não! Já era até safado demais. Fazia até sem permissão se ela não lutasse, mordesse e arranhasse. Animal tarado! Quase à força mesmo. Mas o bom era fingir que não queria, que não gostava e depois poder ficar com cara de ofendida e muito envergonhada. Ninguém poderia acusá-la de ser indecente, ele muito menos. Como?se praticamente a obrigava a aceitar aquelas coisas feias?! O braço forte prendendo-a pela cintura, sem lhe dar chances de fugir, retirava-lhe quase toda a culpa. Não gosto disso! Só faço porque você insiste!
- Ô Evangelista!que você tanto faz aí nesse banheiro?!
Era a barba. Quase uma semana sem transarem e ele ainda se demora por causa da droga da barba por fazer! Se o bom é a barba espinhenta arranhando a pele do pescoço, causando arrepios em todos os pelinhos! Como a barba sempre mal feita dele, do cachorro!...
...a barba mal feita traz lembranças do primeiro beijo. Foi ali na pista de dança mesmo, de surpresa e quase à força. Não sabia pedir nada, como se ela já fosse uma antiga propriedade sua. Agarrou-a e beijou-a. Um lobo que salta sobre uma coelha desatenta. Ave! como foi bom! A barba áspera, a língua obscena procurando a dela, o braço de safado obrigando-a a se encostar cada vez mais naquela coisa dura. E depois, se não se defende, era comida logo ali detrás do clube mesmo, imprensada contra a parede, no quase-escuro da rua, os carros passando vez e outra. Mas no dia seguinte não escapou. Que loucura aquele fim de tarde! Detrás das pedras, na praia. Não havia lugar nem hora certa pra lhe descer a calcinha e penetrá-la por minutos a fio, às vezes nem tirava de dentro quando gozava. Fazia duas vezes sem parar. E nem motel pagava, o pão- duro! Na verdade não gostava. Selvagem! Comia-a pelos lugares públicos da cidade, no meio da noite ou até do dia. Onde que ela andava com a cabeça naqueles tempos?! Que vergonha!
Mas não dava pra negar que era bom. Jamais esqueceria aquela noite, sentada no colo dele naquele banco de praça.De olhos fechados, delirando com o polegar dele entrando atrás, não viu o mendigo espiando escondido detrás das plantas.
- Calma que o homem não tá fazendo nada, ele disse prendendo-a firme quando ela se assustou e quis fugir dos olhos do voyeur.
Foi obrigada a ficar naquela posição mesmo, o pênis se movendo por baixo. Só fechou os olhos e procurou fazer de conta que só existiam os dois em todo o mundo naquele instante. O homem que olhasse o quanto quisesse.
A mãe já andava desconfiada.
- Não gosto que você ande com esses rapazes de moto. Olha que o povo fala, Vivian Maria! Não quero filha minha trepada em garupa de moto. Reze pro seu pai não ver isso!
Se o pai soubesse! Nem imaginava! Os dois naquele dia no meio do mato quando iam para um churrasco na casa de serra de um amigo. Ela tinha visto os pés de sapoti carregados à beira da estrada e comentado que adorava sapoti. A moto entrou na primeira brecha na cerca de arame, descendo o barranco perigosamente. Inocente, ela pensava que ele tinha boas intenções.
Enquanto comia sapoti e se lambuzava toda, ele ia beijando seu pescoço por trás e descendo-lhe o short jeans.
- Ah!aqui não, Marcos!
- Que que tem? Ninguém tá vendo!
- Vamos chegar muito atrasados no churrasco.
- Prefiro comer outra coisa!
Sacanagem! Ele não pensava em outra coisa. E era tão insistente que ela ficava cansada de dizer NÃO. Sempre pressionando. E tanto martelava que ela acabava cedendo.
Entre as ávores, à beira da estrada, ninugém os via. Com o short e a calcinha nos tornozelos, sentiu que dessa vez não escapava. Mas ainda quis relutar:
- Já disse que não vou fazer isso!
- Pôxa, Vivian, quando vai deixar?!
- Isso não deixo! Faça normal.
- Assim vou ficar louco!
- Não quero, Marcos! Me solta!
Mas ele não a largava. Mantinha-a segura nos braços, prendendo-a por trás.
- Deixa, vai? Por favor!
Ela se derretia com aquele abraço, um seio todo na mão grande dele. Ficava tão excitada sentindo-o assim junto ao corpo que parecia perder o domínio de si própria.
- Ai! não sei!
- Já te disse que vai ser bom!
- E se eu não gostar?
- Mas vai! prometo...
- Se doer, você tira?
- Eu tiro! palavra!
- Não acredito em você!
E daí se ela não acreditava?! O dedo do sacana , que sempre a provocava, molhado de saliva, já estava todo enfiado onde não devia.
- Ai! Marcos!
Se o pai soubesse! Mas nunca soube. Ninguém viu. No caminho da serra, à beira da estrada, apoiada a uma árvore, de bunda viranda pra ele, acabou cedendo. A promessa de tirar se doesse tinha sido só mais uma mentira do filho da mãe. Mas ela já sabia e no final reclamou apenas por uma questão de hábito.
- Nunca mais deixo você fazer isso comigo, ouviu?!
Mas dias depois deixou de novo, quando ele a levou a um motel pela primeira vez.
- Não gosto disso, Marcos! Dói muito! Parece um ferro quente lá dentro!
Tinha que admitir a si mesma que era uma mentirosa, pois era daquele jeito, mesmo doendo, que ela mais gozava.
- Se você diz que não gosta; não quero forçá-la a nada.
- É verdade; não gosto mesmo...mas também, se for pra ficar zangado...prefiro deixar que faça.
Ah! bandido! Só pra humilhá-la! Veio por trás de novo. Nem sabia como suportava aquilo tudo, muito menos por que gostava.
- Ai! devegar!
- Diz que gosta de dar o cu pra mim, diz!
Ela ficou calada.
- Vamos! diz! ele insistiu, puxando-lhe os cabelos com mais força.
- Pára!
- Fala!
- Hum...
- Diz que gosta!
Cachorro!
- Eu gosto, ela gemeu fraquinho.
- Do que você gosta?
- Disso...
- Disso o quê?
- Você já sabe que gosto, não basta?!
- Então fala!
- Gosto de dar o cu...pra você...
- Vadia!
Foi por esse tempo que ela perdeu a cabeça de vez. Perdeu também a vergonha. Não havia nada que ele pedisse que ela não concedesse, pois tudo que fazia com ele era bom. Parecia adivinhar os mais secretos desejos e fantasias dela e não lhe fazia uma carícia que não repercutisse em todo seu ser.
Sem dúvida, fora feliz com ele naqueles tempos. Mas também sofrera depois. E como! Tinha visto a outra na garupa da moto, abraçada a ele. A bunda da gorda vadia no lugar que era dela. Foi demais! Havia acabado! Mas ele ainda quis se justificar:
- Mas era só uma amiga!
Falso! Cretino! Conhecia-o muito bem. E não houve perdão. Tudo acabado pra sempre. Noivou dois meses depois. Por vingança? Não, não! Evangelista é que era o homem certo pra ela. A mãe e o pai tinham razão.
- Apago a luz, meu amor? perguntou o noivo ao sair do banheiro, banhado e de barba bem feita.
- Se você quiser, ela respondeu.


Fim
 

Escrito por Peristilo

2 comentários:

Peristilo disse...

Coração!!! Adorei as imagens! VocÊ é demais! Obrigado por tudo. Continue com essa energia; ela é contagiante! Um beijão e um aperto em você!rs,rs!

Ayeska disse...

Oi Peristilo, meu amigo querido!!
Que bom que gostou...rsrs
Fico feliz e postarei mais dos seus contos!
Bjs doces carinhosos e estou com saudades!! Te adoro!!

Ayesk@