quarta-feira, 30 de março de 2011

Coisa Extraordinária
















Certa manhã acompanhei Maria, a bela e jovem empregada de meu primo Eduardo, até o local onde os pescadores vendiam seus peixes capturados de fresco. Águas Verdes é um lugarzinho pitoresco, com praias quase desertas, dunas alvíssimas e jangadas flutuando na água verde-azulada.
Íamos nos aproximando de um jovem caiçara negro consertando sua rede quando Maria, de repente, me puxa pelo braço e me arrasta para outra direção. Assustei-me com aquele gesto brusco dela e exigi que se explicasse. Pediu-me desculpas e respondeu, sorrindo encabulada:

- É aquele homem, D. Fernanda! Me persegue, quer me paquerar e tenho medo dele!

- Medo?! Por que, menina?! Um rapaz tão bonito!

- É que a Senhora não sabe da estória, ela disse dando risadinhas daquele seu jeito sonso e infantil.

- Mas que estória?!

- Deixa pra lá; não é nada, não.

- Vamos, Maria! Não me mate de curiosidade, criatura! Conta logo qual o problema com o rapaz!

Andamos alguns passos sem que ela falasse ou olhasse para mim, apenas tapava a boca com a mão e ria baixinho sem parar.

- Fala logo, menina! Deixa de coisas! ordenei, parando em sua frente, pois sou uma pessoa curiosíssima.

- É meio vergonhoso falar, D.Fernanda, ela se desculpou.

- Vamos! Diga!

- Promete que não vai se zangar comigo?

Prometi com muita impaciência.

- É que aquele é o Zé Enguia...

Deu mais risadas, e continuou:

- Dizem as más línguas que ele tem...ele tem...ai. D. Fernanda! nem tenho coragem de falar!
- Maria! Fala!
- Ai! meu Jesus! ele tem...tem um pinto ENORME! hi, hi... as moças daqui morrem de medo dele!

Explodi numa forte gargalhada ao ouvir explicação tão surpreendente.

- A Senhora ri então? É porque não é a Senhora que ele persegue. É doido por mim e não pode me ver que vem puxar conversa. Mas eu quero é distância! Sai pra lá, pintudo!

- Meu Deus! Você me mata de rir, Maria!

Achei a estória tão cômica que, quando retornamos à casa, contei-a ao pessoal - meu primo, meu marido Júlio e os amigos que passavam o fim-de-semana conosco. Foi a piada do dia.

Claro que eu não levava a estória de Maria a sério; era bem provável que aquilo fosse invenção dos locais, resultado de alguma brincadeira de mau-gosto. Se era verdade, deveria ser mesmo uma coisa extraordinária para gerar comentários assim tão embaraçosos, inclusive entre moças. Porém a conversa com Maria ficou dando voltas em minha mente e, ao me deitar com Júlio à noite, minha imaginação se inquietou com a idéia de haver um homem com um pênis descomunal andando por aquelas praias desertas. Fui adormecendo com estranhas imagens em minha mente. Pensei em Zé Enguia e meu marido nus lado a lado. Cena engraçada: a enguia gigante e a minhoca tímida. Dei risadas, mas logo me arrependi daqueles pensamentos perversos. Sempre amei meu marido, apesar de ele ter mesmo uma coisinha minúscula que me dá pouco prazer. Talvez até por isso é que eu tenha ficado com aquilo na cabeça, pois sou uma mulher sem perversões, muito bem casada e que nunca havia cogitou nenhuma experiência anormal, nada que não fosse convencionalmente aceitável entre marido e mulher.

Entretanto, na manhã seguinte, não sei que me deu que eu quis sair sozinha e andar pela praia, apreciando a encantadora paisagem marítima e a movimentação dos jangadeiros em sua labuta matinal.

Quando já pensava em retornar para casa, avistei o homem acabando de arrastar uma rede de pesca para fora da água, ajudado por um velho e um outro rapaz. Meu coração se agitou sem motivo e por um instante fiquei paralisada, perdida, sem saber se prosseguia em meu caminho ou se me aproximava do grupo. Para fazer o quê? Não sabia. Mas, quase sem me sentir, aproximei-me. Os homens me olharam com curiosidade e eu, por pretexto, disse para o tal Zé Enguia, bastante nervosa:

- Quero comprar uns peixes, moço.

- É só escolher, Dona, disse ele sorrindo com a simpatia natural do caiçara na presença de visitantes estrangeiros, e abriu as mãos na direção da rede cheia de pescados.

Atarantada, escolhi dois ou três peixinhos sem nenhum critério. Depois procurei dinheiro nos bolsos de meu vestido, mas não encontrava.

- Não se dê ao trabalho, moça; pode levar, que não é nada.

Protestei contra sua generosidade, mas ele insistiu e eu aceitei o presente. Depois não consegui encontrar palavras que pudessem dar início a uma conversação aceitável e me senti uma boba. Agradeci acanhada e me afastei com passos apressados.

A partir de então, não consegui parar de pensar em Zé Enguia e em seu mistério fálico. Perguntava-me até que ponto seriam verdadeiros os boatos sobre suas proporções. Os dias de nossas férias ali em Águas Verdes iam se passando e, sempre que eu avistava o homem pela praia, minha imaginação começava a se perturbar. “Será mesmo?!” eu me questionava. Pensava no pênis dentro do calção, enrolado como uma jibóia, escondida entre as pernas fortes e bonitas dele, uma coisa tremenda, três ou quatro vezes maior do que o pintinho de meu pobre esposo. Não que eu fosse uma tarada com obsessões por tamanhos. Nem ao menos tinha uma noção do que seria um pênis de tamanho normal, pois o único que já tinha visto e “medido” era o de Júlio. Mas tentava-me a idéia de ver um homem bem-dotado nu e ao vivo. Apenas para ver, claro; nem passava pela minha cabeça outro propósito.

Outra vez me encontrei sozinha em passeios matinais pela praia. Minhas pernas já sabiam aonde ir e acabei avistando o rapaz consertando sua rede sentado na jangada. Que grande vontade não tive de me aproximar e perguntar, assim na lata, se era mesmo verdade o que se comentava dele! Obviamente eu jamais faria isso. Contudo, meu interesse por seu segredo era insuportável. De repente me veio coragem e aproximei-me. A princípio não soube o que dizer, mas logo me ocorreu uma ousada idéia e, antes que eu pudesse refletir sobre meus atos, as palavras saíam de minha boca:

- Quanto o Senhor cobra pra me levar num passeio de jangada?

Ele me olhou surpreso, depois interessado. Não sei se me reconheceu, mas passou rapidamente os olhos por meu corpo , sorriu de leve e disse:

- Pra Senhora é de graça, Dona!

Girei meu anel de casamento no dedo para deixá-lo bem avisado e disse com sequidão:

- Prefiro pagar, por favor!

- Como queira, Senhora, ele disse fazendo-se sério de repente, muito mais cerimonioso.

Entramos num bom acordo. O passeio seria rápido, ao longo da costa apenas. Lá fomos.

Quando enfim nos afastamos da rebentação e o passeio tornou-se mais tranqüilo, começamos a conversar. Ele era bastante tagarela e logo foi me contando suas estórias inverossímeis de pescador, suas aventuras de jangadeiro. Em pouco tempo estabeleceu-se alguma intimidade entre nós e eu me senti mais à vontade para lhe fazer algumas perguntas, mas só consegui ficar dando voltas e voltas, sem coragem de abordar a questão que me angustiava. Mais de uma vez procurei convencer-me de que não havia mal nenhum em lhe pedir uma confirmação ou negação dos boatos que rolavam a seu respeito. Mas quando as palavras iam sair de minha boca, eu me dava conta do ridículo de meus pensamentos.

No apertado espaço da jangadinha, ele ia de pé controlando a vela e eu, sentada num banquinho de pau, ficava com o rosto à altura de sua cintura, de modo que eu não podia evitar olhar muito para a parte do calção onde supostamente se escondia um pênis gigante. Eu tentava manter a cara voltada para o mar, mas meus olhos sempre giravam em direção ao mistério. Só pelo volume, não dava para supor nada de incomum. Porém minha imaginação não sossegava: “Aninhada entre as pernas, bem enrolada”, eu pensava. E o coração ia se perturbando mais a cada silêncio entre nós.

Após percorrermos considerável distância, concordamos em que já era hora de retornar. Com sua voz rude, ele prosseguia em suas estórias. Embora me tratasse com respeito, eu quase podia sentir seus olhos sensuais se enfiando entre meus seios no biquíni, lambendo minhas coxas, minha virilha e barriga. Eu estava toda molhada e minha canga se colava a minha pele e revelava formas que eu não conseguia esconder. Apesar disso, eu mantinha meu ar sereno e natural, sorrindo e demonstrando interesse em sua conversa. Por dentro eu morria de vontade de lhe fazer a pergunta crucial e até de pedir-lhe que baixasse o calção e matasse de uma vez aquela minha louca curiosidade. Houve momentos em que estive a ponto de eu mesma arrancar-lhe a roupa para ver tudo com meus próprios olhos. Imaginei-me fazendo isso e sorri do vexame que seria. Depois voltei a considerar a idéia, dizendo para mim mesma: “Por que não?! Por que não cometer uma loucura uma vez na vida?! Puxo-lhe o calção de repente e...voilá! a verdade vem à luz! Pronto, está decidido! Vou fazê-lo agora!”

Mas não ousei, claro! Ainda me restava alguma sanidade.
 Mas nosso passeio se aproximava do fim e tomei coragem de sondar o mistério de um modo menos comprometedor:

- Você é bem conhecido por aqui, não é mesmo? perguntei num tom casual.

Ele sorriu, mudou a posição da vela e finalmente disse:

- Sou mesmo, mas como a Senhora sabe?!

- Maria, a empregada do seu Álvaro, meu primo...

- Ah! Claro! Mariazinha do seu Álvaro...então a Senhora é de lá da casa?

- Sou, sim. Meu marido e eu estamos passando férias por aqui. Comemoramos dez anos de casados.

- Vixe! uma moça tão nova e formosa como a Dona...ninguém diz que já tem marido esse tempo todo!

- Ouvi dizer que você anda caído por Maria, é verdade, José?

- He!he! é verdade, sim, ele confessou um tanto encabulado.

- Mas parece que ela tem medo de você; por que será, hein?

Imediatamente arrependi-me da pergunta, pois ele me olhou com expressão risonha e debochada de quem parecia dizer: “Então a Senhora já sabe, a Senhora já sabe, né?” Senti meu rosto queimar de vergonha, mas já tinha ido longe demais para recuar.

- Por que, hein! José ? insisti, como se fizesse uma pergunta inocente.

Dessa vez ele baixou a cabeça, sacudindo-a com um sorriso.

- Não sei, não, Senhora...acho que é umas coisas que dizem de mim por aí...

- Que coisas dizem de você?!

- Ah! falação do povo; coisa que dá vergonha de falar...

- Por que vergonha? É coisa tão ruim assim?
- Sei não...

- Se você não me disser do que se trata, vou ficar pensando coisas horríveis de você.

- A Senhora vai se ofender se eu falar; é coisa feia, sim.

- Pode dizer, José; não pode ser tão mau.

- Bem...se a Senhora insiste, he!he!, ele riu, mas calou-se por um instante, de cabeça baixa.

- Fale, homem!

- A Senhora quer saber, né?
- Claro!
- É que espalharam que tenho...tenho a piroca muito grande, he!he!

Já não deveria ser surpresa essa revelação, mas ainda assim escandalizei-me com as palavras. Meu sangue ferveu, faltou-me ar, remexi-me no banco. Porém dominei-me logo e dei uma risada para mostrar naturalidade, como se não tivesse ouvido nada de extraordinário.

- Então é isso?! Mas não é uma coisa ruim, não é mesmo?

- He!he! é...não é mesmo!

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Continuávamos velejando de volta ao ponto de partida, dando grandes voltas de forma que quase não avançávamos, como se ele se retardasse de propósito, à espera de algo que se anunciava. Eu procurava palavras para dizer, mas elas vinham até minha garganta e enganchavam. Então arrisquei:

- E é verdade ?

- O quê?

- É muito grande?

- O povo é que diz...

- Sei, sei...

O que fazer?! O que dizer?! Para onde olhar?! Mesmo com o rosto virado para a praia, eu pressentia os olhos dele em busca dos meus, o sorriso malicioso. E como se adivinhasse meus pensamentos:

- A Senhora quer ver?

- Ver o que, rapaz?!

-A coisa; não quer saber de que tamanho é?

- Como?! Ora, me respeite! Onde já se viu?! reagi, indignada, fuzilando-o com os olhos. E acrescentei: - Chega dessa conversa! apresse-se e me leve logo de volta, por favor!

- Como queira, Dona, disse ele zangado como se eu é que o tivesse insultado.

Movemo-nos mais rápido rumo à praia. Ao redor apenas um grande círculo de água e de perturbador silêncio. Não sei descrever o que senti naqueles breves segundos, mas era como se algo me sufocasse. De repente, eu desembuxei, nervosa:

- Espere! Mostre-me! Mostre-me! Vamos! Mas só quero ver, só ver, é só curiosidade, compreendeu?!

A cara fechada dele abriu-se num enorme sorriso e ele apressou-se em baixar o calção. Quando a cueca desceu... Cristo! surgiu, a poucos centímetros de meus olhos, uma coisa medonha, uma tromba negra que começou a se erguer como se fosse animada por minha presença.

- Chega! chega! Guarde isso! guarde! Já vi o suficiente, eu gritei histericamente, virando o rosto, a garganta quase fechando de nervosismo, o coração aos saltos.

Ele assustou-se e suspendeu as roupas. Eu  nunca tinha visto nada parecido, nem em revistas. Quantas vezes maior do que a de Júlio? Oh! Jesus! senti um incontrolável desejo de ver novamente.

- Vamos! Vamos! Deixe-me ver mais uma vez!

Ele sorriu e logo baixou o calção e a cueca juntos. A coisa saltou como uma mola dessa vez.

- Nossa! deixei escapar, abismada, pois o início de ereção dava um aspecto ainda mais estarrecedor ao negro rolo de carne.

A jangada flutuava e ondulava mansamente. Eu estava hipnotizada. A coisa tinha inchado e ficado tesa como uma enorme linguiça negra. Pendia pesada de um lado para o outro e sacudia de excitação.
A cabeça era roxa, meio arredondada, como um suculento tomate. Entre as pernas, o saco cabeludo e negro balançando.  Fascinada, não pude evitar que minha mão se estendesse e o empunhasse. Cristo! que delícia segurar e apertar aquela coisa quente e roliça! Como latejava! Sacudi, balancei, e vi como era pesada! Agarrada ao pênis do homem, foi como se nada mais existisse à minha volta. Punhetei o tronco, massageei, apertei o saco, fiz tudo que me deu vontade.

- Tem calma, Dona! Tem calma! ele gemeu porque eu o maltratava, de tão empolgada que estava.
Então, já sem me importar com mais nada,  abri a boca e  engoli o quanto foi possível. E chupei! Chupei com vontade enquanto esfregava meu próprio sexo com a mão. Às vezes fazia uma pausa só para admirá-lo. Então esfregava-o no meu rosto e cheirava. Até o saco também cheirei e lambi! Depois voltava a amamar. E mamei tanto no fim que ele começou a gemer.

- Oh! Dona! oh! Dona!

Então agarrou o gigantesco membro, retirou da minha boca  e apontou-o para meu rosto, masturbando-se febrilmente, urrando como um animal. De repente, sem que eu esperasse, um jato de seu caldo quente explodiu na minha cara. Mais parecia uma mangueira jorrando sêmen! Em êxtase, abri os lábios. E assim ele encheu minha boca. A porção que não engoli foi a que desceu pelo queixo e pescoço até os seios. Quando me dei conta, estava gozando também com a mão entre as pernas, deliciosamente.
 Depois de um tempo, abraçada as pernas dele, senti-me recobrando a consciência do mundo em volta.  O senso da realidade envolvendo meu corpo e minha alma, pesadamente.

Recuperada de todoa a loucura, não sei como consegui permanecer na jangada com ele. Enquanto limpava o creme grudento de minha pele com a água salgada, tinha vontade de mergulhar e desaparecer no fundo do oceano.Ele tentou outro contato, mas reagi violentamente. Ele quis dizer alguma coisa, mas ordenei que se calasse e seguisse logo reto para a praia, antes mesmo de aportarmos no ponto de partida. Atingimos o raso, saltei e saí quase correndo pela areia molhada. Não sei como ainda tinha encontrado coragem para pronunciar um inaudível “obrigada”. Só quando me afastei, e senti-me segura, foi que não contive uma risada.

Foi a última vez que vi Zé Enguia; nunca mais tive coragem de retornar à praia, nem mesmo com meu marido. Pedi que antecipássemos nosso retorno para casa e ele me atendeu, apesar de bastante contrariado.

fim 




 Escrito por Peristilo

Um comentário:

Peristilo disse...

Acertou de cheio na imagem, hein! Demais, querida! Uffa! Evitou o que eu mais temia.kkkk Ficou vestido,e até combinou com o mistério do conto. Nem sei se teve consciência disso, mas valeu pela sensibilidade!Beijão, querida!