quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Em nome do prazer














- Sem vergonha...
- Policial, eu...
- Na parede! Encostada na parede, caralho! Não fala comigo! Mãos espalmadas encostadas na parede, que porra de parte não entendeu?!
Ela disse que estava naquele beco por estar acostumada a entrar pela cozinha da cantina italiana, e, dali para o andar superior, no qual havia as chamadas "raves". Não era prostituta, apesar de ser alta, gostosa, de seios grandes, lábios sensuais, cabelos lisos até quase a cintura, pernas compridas numa calça colante e salto alto.
- Nessas festas há muitas drogas! Talvez nessa bolsa eu encontre ecstasy, maconha...
Ela disse que não, nervosa, enquanto eu passeava de um lado para o outro, passos curtos, segurando o enorme cacetete de borracha. Argumentou que seus amigos estavam esperando por ela lá em cima, se poderia pegar o celular e ligar pra eles.
- Não! Vou pedir licença para "rastrear" a senhorita. Não sabe o que é? Revistar em busca de substâncias ilegais, ou motivos para autuá-la por algum delito menor.
Ela falou que não era contraventora de forma alguma e que não haveria motivos para... - Calou-se abruptamente quando abandonei o cacetete e separei suas pernas, colocando a minha entre as dela.
- Abra mais as pernas. Assim!
Minhas mãos experientes apalparam suas mãos espalmadas, meus dedos se entrelaçaram aos dela por uns momentos e percorreram o espaço entre eles,vagarosamente. No processo encoxei-a, ossos do ofício. Não fiz força alguma, desci os dedos por entre os cabelos sedosos como se estivesse massageando o couro cabeludo. Atrás das orelhas, também. Os dedos penetraram seus ouvidos. Leve suspiro da parte dela, antes de sentir sua respiração sendo interrompida. Mãos nos pelos eriçados da nuca; em torno do pescoço, massageando, sentindo o pulsar da carótida. O toque se estendendo vigorosamente pelas costas e barriga, as pontas dos dedos comprimindo ambos os lados da espinha dorsal, as articulações dos ombros. Sob os braços, minhas palmas sobre a barriga, apalpando-lhe os seios como se escolhe frutos maduros na feira, beliscando os mamilos túrgidos; o dedo circulando o umbigo, penetrando o umbigo, os polegares invadindo o cós baixo da calça, alcançando os pelos púbicos. Sentindo-lhe as ancas, as coxas, lado externo e interno, sentindo a fornalha ligada, dedos na portinha, mão na boceta. As duas mãos pela bunda, vasculhando, apertando,quase beliscando. De volta às pernas, parte traseira, parte frontal, joelhos; panturrilhas, canelas, tornozelos...Fim da inspeção. Suada, ela. Gotas do suor caindo da testa. Eu, banhado em suor, no beco mal iluminado e pessimamente arejado, entre latas de lixo.

Súbito enlaço-lhe a cintura, num arremedo de falta de profissionalismo e encoxo. Me esfrego e esfrego na sua bunda, como um cachorro por trás de uma cadela no cio. Chego a respirar muito forte! Ela retribui, rebolando instintivamente!
Tenta falar. Sem parar de rebolar inicia um "Seu guarda, eu..."
- Quieta! Interrompo, voz rouca,impaciente. Baixo-lhe a calça de um golpe, até os joelhos. Ela quase perde o equilíbrio, mas não a pose. Aperto os olhos, focando a visão do paraíso: bunda redonda, macia e gostosa, branquinha,com uma pinta em uma das bandas. Abro sua bunda com as duas mãos, colocando o cacetete de carne em prontidão. O instrumento de foder xuranhas! Completamente concentrado,encosto,posiciono e ataco! Primeiro golpe, entra a cabeça. Ela estremece e suprime um berro. Garota corajosa! De outro golpe coloco a metade, e depois trabalho furiosamente, arremetendo com estocadas velozes e poderosas, como se não houvesse amanhã, esfolando o cacete, grudado em suas costas, respirando aquele perfume gostoso, amassando-lhes os peitos, enrabando com ira erótica, e ela gemendo como uma porca, me agredindo de volta com a bunda gostosa, rebelde, empinada, dando bundadas na vara, remexendo com volúpia, golpeando enquanto recebe as bordoadas da minha tala faminta! Sexo no beco, voraz e incontrolável entre dois desconhecidos vulcões, postos em erupção por detalhes mínimos, como local, horário, vestimentas, tom de voz... Despertando a insanidade momentânea completa, proporcionada pela busca pelo prazer imediato, incondicional, desafiando as convenções sociais em nome de um ato pré-histórico e inigualável!

Urros mútuos, abafados, dentes trincados nos estertores. Um flash e o corpo transcende a mortalidade, o prazer vem em jatos. O silêncio une.
Depois, a volta à moralidade, às regras de convivência social: ela ergue as calças, trêmula, vermelha; eu subo o zíper; ajeitamos as roupas. Nem uma palavra. Nossos olhares não se cruzam. Ela pega a bolsa esquecida sobre um latão de lixo, eu recolho o cacetete encostado à parede. Irônico.
E ela dirigindo-se ao andar superior da cantina com passos apressados, desajeitados e barulhentos do salto alto nos paralelepípedos, entrando pela porta dos fundos. Como eu fiz.
Ajeito novamente a roupa, com um suspiro longo, retomo a estudada aparência de defensor da lei e guardião dos bons costumes e continuo minha ronda noturna, cacetete em riste.


























Escrito por Caique

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