sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

UM CONTO DE ANO NOVO!!


“Ver-te de pertinho mais uma vez... Ao alcance de minhas mãos” .



Fez seu pedido de Ano Novo.

Evocou Santos e Entidades com os pés cobertos pela espuma do mar e de champagne.

Seu pensamento gritava e repetia: ‘Mais uma vez’ e seu coração explodia no peito mais forte e mais alto que os estouros dos fogos de artifício que coloriam o céu.

E com as cores e os brilhos de pólvora cintilante, projetou sobre o céu, como em uma tela de cinema, a cena que viveria em algum canto de 2011.

"Cruzar o olhar... Prender a respiração e passar por ti e por teus olhos, sentindo que o mundo inteiro pára enquanto isso acontece e sabendo que nem uma folha deixou sua árvore porque te amei nesses segundos.

Quem sabe esbarrar-te: Nossos ombros... Nossas mãos...

Desejando mais: Meus lábios nos teus a depositar a pouca paz que ainda resta depois que a minha vida tropeçou na tua e caiu.. Estatelada no asfalto.

Doeu mais levantar-me que a própria queda.

A saudade rega meus pensamentos com a acidez da tua lembrança e com a doçura da memória de mim mesma enquanto envolvida na magia perfeita que só é possível quando o juízo é imperfeito

Pensar em ti sem mim é devastador".


Sentiu um forte tranco... Corpos bêbados encontrando-se sem querer.
Sentia-se tão só que não enxergavam ninguém.

- Desculpe... Você sabe, não vi você. - Voz masculina, lábios grossos e desconhecidos, barba feita.

- Não. - Ela respondeu sem entusiasmo.

- Como?

- Não, não desculpo. Não tenho que desculpar tudo... Não há desculpas onde não há culpa... E não, você não me viu, simplesmente porque não estou aqui.

- Ei... O que é isso? Muito champagne ou pouco?

- Sim... Estou bêbada, mas já estive apaixonada.

E o homem, sorriu: - É quase a mesma coisa.


Sua visão e o álcool revelavam um homem alto, pele bronzeada, cabelos alvoroçados, bermudas brancas, como tinha que ser, camisa desabotoada e mangas arregaçadas. Em uma mão, uma garrafa de champagne aberta e na outra apenas dedos grossos e penugem escura sobre a pele dourada...

- Sua mão... É linda – Disse ela sem pensar.

- Qual delas? Aposto que esta aqui... Com a champagne. – Brincou.

- Seu eu te dissesse que não me interessa a champagne... Como você entenderia a mensagem?

- Perfeitamente.

Ficaram se olhando em um silêncio quase tímido.

Os pensamentos dela: Subitamente suspensos.
As dores e desejos: Anestesiados.

Diante dela um homem que ela não pediu que viesse...
Diante dela um homem pelo qual ela não derrubou uma lágrima...
Diante dela um homem pelo qual ela não perdeu uma só noite de sonho...
Diante dela um homem pelo qual ela nunca pensou em morrer...
Diante dela um homem com mãos enorme...
Diante dela e não em outro lugar qualquer.

Relaxou os ombros, pensou e disse:

- Sabe do que mais... Feliz Ano Novo.

- Ele pode ser sim... Bebe comigo?

Ela tomou a garrafa da mão do homem e derramou sobre ela.

- Bebo... E você, bebe comigo? – Mordeu os lábios. (Lugar comum, e daí? As vezes é melhor ser explícita... Não era hora para jogar, subentender, insinuar... Era hora pra dizer EU QUERO... Ou gritar para que não houvesse dúvida).

Correu em direção ao deck atrás das pedras que avistou logo ali...

Ele a alcançou e a alçou com seus braços.
Ela abaixou as alças de seu vestido.
Ele usou suas mãos para levantá-la e encaixá-la pouco abaixo de sua cintura; ela cruzou suas pernas ao redor dele...
Ele usou suas mãos para levar o seio dela a boca; ela lambeu seu pescoço, mordeu seus ombros, arranhou suas costas...
Ele levou sua mão à boca lhe arrancando batom e lhe manchando a face; ela lhe chupou os dedos e eles... A levaram ao êxtase.

Amanheceram na praia, fazendo promessas de “Ano Novo” que nenhum dos dois pretendia cumprir.

O sol começava exigir que se ainda houvesse alguma vergonha, ela vestisse as alças de seu vestido e cobrisse os seios... Desenrolasse os babados da saia.

Procurou rapidamente sua calcinha. Desistiu de encontrá-la... Lembrou-se vagamente de tê-la oferecido a Iemanjá... Entre um orgasmo e outro.

Riu.

A despeito de seu pedido... E de suas promessas... 2011 aconteceria.

Lembrou-se de uma frase de John Lennon: 

"A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos"

Olhou para o estranho que parecia não saber ao certo o que fazer: Dizer adeus, pedir telefone ou dizer qualquer uma dessas frases que evita o desconforto de não poder simplesmente não dizer nada.

Beijou-o apaixonadamente, pegou suas sandálias e foi embora.

- A gente se encontra! - Disse aliviado e até incomodado.

Ela respondeu sem olhar para traz:

- Provavelmente... Se eu não quiser.

Seguiu em frente... 2011 acabava de nascer!















Escrito por Daniela
Postado por Ayesk@

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