segunda-feira, 22 de novembro de 2010

TEMPESTADE VERMELHA



Na imensidão do deserto, num calor lancinante, é possível ver entre as dunas a figura exausta de um cavaleiro mascarado, curvado sobre seu cavalo negro.
Uma máscara negra, com detalhes em ouro envolve seu rosto, deixando apenas os olhos de fora.
Ele respira com dificuldade, o ar seco do deserto lhe irrita a garganta.
 _Desgraçado! Ele pensa a respeito do homem que perseguia, um estuprador de crianças.
O maldito estuprador esteve por duas horas fugindo de Dayo_li, o caçador que recebeu a tarefa de capturá-lo. Spartacus lhe deu a tarefa pessoalmente.

Porém, o cavalo do criminoso era mais rápido.

A água de Dayo_li estava acabando, e ele pressentia a chegada de uma tempestade de areia.

_Era só o que me faltava, pensou.

Nem bem concluiu o pensamento, viu a nuvem de poeira finíssima ao longe, parecia até inofensiva de onde estava, mas em alguns segundos, o perigo ficou evidente. A tempestade avançava impiedosamente.

Dayo_li deu um tapa de leve em seu cavalo, o convocando para a corrida. Em seguida, o animal disparou na direção contrária da tempestade.

_Vamos, vamos... O caçador sussurrava para seu cavalo, o incentivando. O animal estava em alta velocidade, mas a tempestade parecia decidida a alcançar Dayo_li. Havia apenas uma pequena vantagem entre ele e a enorme nuvem de poeira.

O cavalo, já exausto da perseguição que havia enfrentado pouco antes, tombou.

Dayo_li caiu junto, e teve tempo apenas de cobrir os olhos com as mãos, antes de ser engolido pela tempestade.

Era preciso muita experiência e coragem para não entrar em pânico. O caçador levantou-se devagar, precisava caminhar, se movimentar, evitar ser soterrado, tudo isso sem enxergar nada. Ele avançava lentamente, os olhos protegidos pelas mãos.

De repente, bateu com a cabeça em algo sólido. Cobriu os olhos com o braço, e usou a outra mão para tatear a parede á sua frente. Pensou estar alucinando, não havia parede de pedra onde ele havia passado pouco antes, enquanto perseguia o estuprador.
Encontrou uma argola de metal presa ás pedras, e instintivamente a empurrou, abrindo uma porta. Entrou rapidamente no local e fechou aporta.
Estava salvo. Teve o ímpeto de arrancar a máscara, mas lembrou-se da total proibição de mostrar seu rosto para qualquer pessoa, uma regra dos caçadores. E ele já tinha noção de quem estava ali, junto com ele.
 
Assim que seus olhos se restabeleceram, ele a viu.

_Prefiro voltar pra tempestade de areia, ele disse, e a fez rir.
_A tempestade vermelha não te agrada? Ayeska perguntou.
_Você não perde o costume de me salvar?
_Quero ver seu rosto enquanto você estiver vivo. Se você morrer, não vou querer vê-lo.
Dayo_li ficou calado por um instante, sentiu-se entristecer.
_Você sabe que ainda falta algum tempo para que eu me aposente, ele disse.
_Até lá, podemos nos virar com essa máscara mesmo não?
Ela sabia animá-lo.
Ayeska lhe entregou uma jarra cheia de água, e ele virou-se de costas. Destravou a parte da máscara que protegia a boca e bebeu ávidamente. Fechou a máscara e entregou a jarra vazia á Ayeska. 
 _Minha feiticeira. Ele disse.
_O homem que você perseguia está por perto, e a tempestade cessou.
_Está me mandando embora? Sem sequer um abraço?
Ela aproximou-se, vestia apenas um vestido vermelho transparente.
 
Dayo_li podia ver os bicos entumescidos dos seios dela através do vestido.
Ela tocou a máscara com os lábios, e ele acariciou os longos cabelos vermelhos.
_Tenho que ir, ele disse, e saiu em disparada.
Ayeska ficou olhando a silhueta do caçador, caminhando rápido e imponente, de espada em punho, até que ele sumiu no horizonte.
Na mente dela, sempre conectada á dele, ela pode ouvir o grito de horror do estuprador, quando ele foi encontrado e esquartejado por Dayo_li.


Escrito por Nilton

Nenhum comentário: