segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Série Oceano : *NAMOR

Tentei falar, respirava depressa enquanto tentava me acalmar.
— Eu não… não posso… Não posso... —respirei fundo e me separei dele.
Sorri, um sorriso sem graça, enquanto ainda custava-me respirar.
— Tenho que ir, já está tarde...minhas amigas devem estarem preocupadas comigo e... -fui me afastando de costas, sem me dar conta de que ele lia minha mente.
" Ela o desejava! E estava envergonhada!"
Namor sentiu crescer mais e mais o seu desejo, sua volúpia por aquela mulher com rosto de menina, olhar triste e uma boca tentadora!
 
" Imaginar aquela boca em todo seu corpo, o deixava mais e mais rígido."
Estava se segurando, não queria assusta-la, pois seu corpo exigia o dela de forma selvagem, queria leva-la com ele através do Mar e Oceano, seu Lar e a manter cativa durante um ano, ou dois, se possível nua em todo o momento."
Ela não era uma fêmea fatal, até seu perfume não era como daquelas outras mulheres quando estivera uns meses atrás ali, com um cheiro marcante.
Não, o perfume dela era tentador, porém suave, feminino.
Era um perfume que queria sentir enquanto estivesse com ela.
Ele tinha que estudá-la, mas não tinha tanto tempo assim...
Nunca pensou que iria desejar tanto uma fêmea humana, como a desejava.
Ele queria despi-la, tê-la debaixo dele, em sua cama, ali mesmo, na areia, em qualquer parte, em breve, agora! 
Queria beijar a boca macia, penetrar seu corpo macio, sentir os braços ao seu redor e as mãos pequenas no seu corpo, no seu membro.
Queria penetrar nas profundezas secretas do seu corpo e atingir o clímax, olhando para aqueles olhos castanhos. Queria sentir seu corpo suado e no embalo da dança mais antiga do Mundo, queria arremeter fundo e forte dentro dela, e sentir suas unhas arranhando suas costas, queria afundar sua cabeça na curva do seu pescoço e suga-lo deixando assim sua marca na pela alva e macia.
Enfim queria jorrar todo seu gozo dentro dela, e olhando-a nos olhos; vê-la chegar ao êxtase!
Namor respirou fundo, lutou para recuperar o controle.
"Poderia leva-la consigo para Atlântida?
Mas e os guerreiros varões?" Ficou sem fôlego só de imagina-los em volta dela.
Poderia leva-la e deixa-la no Tempo, com os celibatários.
Dei um passo para trás, ele era tão bonito e me deixava confusa.
Ele não podia lamentar havê-la tocado. Havê-la acariciado. Mas se arrependia de te-la machucado com sua força. Uma estranha sensação de ternura, proteção o percorreu enquanto olhava seu rosto úmido da garoa fininha que caia.
— Tenho que ir. Tenho que… Adeus.
Num local bem profundo do seu ser, Namor, sentiu algo por dentro protestar por deixá-la escapar. Enquanto a via partir, sua mente o fez sussurrar em voz alta.
- Selene... - ele sentiu seu corpo endurecer com o simples som do nome dela e a verdade nua e crua caiu-lhe em cima, como um raio em noite de tempestade num mar revolto.
Aquela mulher não era uma simples " humana".
Era a sua "humana"...sua...
Ele ficou irado, pois como Príncipe de Atlântida, estava destinado a outra, destinado a um programa de procriação real.
Achava que havia subido à superfície apenas para toma-la e ir embora, mas como tomá-la para si e ir embora sem ela? Seu olhar a procurou e encontrou-a olhando-o, sua mente em contato com a dele.
" Adeus..."
" Não acredite que isto é um Adeus, nada disso!"
Ela seguiu em frente e foi sumindo aos poucos, tornando-se um ponto distante.
Quando não a enxergou mais, Namor levantou os braços e de repente uma onda feroz de alegria ao mar, um casal de Orcas saltaram no ar celebrando.
Sozinho, Namor respirou fundo, após admirar a beleza do salto das Orcas, membro de maior porte da família Delphinidae.
Sentia o cheiro de Selene ainda no ar que o rodeava. Ainda podia sentir sua doçura, sua calidez, sua feminilidade. Sentia o rastro da pele macia, sedosa em suas mãos, em seu corpo enrijecido e dolorido. Dolorido pelo desejo não satisfeito.
Sentia as emoções que ela emitia com tanta força.
Seu corpo, seu ser exigia que fosse atrás dela. Uma necessidade primitiva, sendo que nem séculos de treinamento anularia seus instintos em relação aquela humana. Nunca sentira nada como aquilo.
Um futuro Rei não abandonava suas obrigações para seguir uma mulher.
Sim obrigações, dever, pois o que Atlântida necessitava imediatamente é que ele se sentasse no trono. Apertou a mandíbula, o que ele poderia oferecer a uma mulher? Tinha que ser racional.
Isso racional, só que naquele momento era impossível. Seu corpo enrijeceu mais um pouco, doeu só de pensar no cabelo de Selene, deslizando entre suas mãos, como a mais magnífica seda de Atlântida.
Como um Príncipe como ele, podia sentir-se tão bem abraçando a uma mulher humana que acabava de conhecer? Ele fechou os olhos e respirou lentamente pelo nariz. Depois enviou um sinal mental para Selene. Cerrou os dentes ao dar-se conta de que após ela ter ido, se sentia tenso. Ele continuava em sua mente, enquanto ela estava chegando ao apartamento onde estava com suas amigas.
“Estou aqui, Selene, voce está bem?”
"- Namor? Ainda pode falar comigo? Não sei como mas sei que ainda está aí."
"Posso te sentir, Deusa da Lua, vou protege-la, voce é muito valiosa para...alguém."
" Isso que disse é muito bonito, mas eu não valho muito para ninguém, talvez para minha mãe e irmão. Só preciso tomar um banho de espuma bem gostoso e ir dormir. Adeus..."
Namor tinha a boca seca e lutava para evitar que seu corpo voltasse a enrijecer, ante a imagem dela em uma banheira cheia de bolhas perfumadas.
Fechou seus olhos com força e gemeu.
Mais tarde acompanhado de alguns dos seus guerreiros, Namor e eles se converteram em uma bruma e se dirigiram para um apartamento onde uma mulher humana dormia.
"Uma vez que eu volte a vê-la, darei conta de que esta irracional atração, foi só algo momentâneo. Nada mudou.
Será, idiota? Tudo mudou, ela me mudou..."
- Continua...
 
Ayesk@

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