terça-feira, 2 de novembro de 2010

Série : Oceano e um Atlante chamado Namor

Precisava de descanso e nada melhor que caminhar na praia deserta, debaixo daquela garoa fininha.

O anoitecer, as ondas do mar; enquanto eu caminhava com os meus pensamentos aos ventos.

Adoro água, adoro senti-la no meu corpo, no meu rosto e em meus cabelos.

Ela me seduz, me relaxa, me acalma, me excita...

Parei e fiquei olhando o mar, grandioso, misterioso...Quantos segredos ele ocultava...

Usando um short jeans preto curto nas coxas, cabelos soltos, uma blusa com capuz rosa e de mangas compridas; eu observava as ondas que chegavam quase aos meu pés.

A garoa fininha, e o vento gelado, fizeram com que eu levantasse o capuz.

Ao longe, pessoas riam e conversavam em quiosques , mais adiante, rapazes e moças dançavam , bebiam e riam sem se importarem com a garoa fininha e o vento gelado.

Eu havia deixado o apartamento, minhas amigas estavam tomando banho e se arrumando, quando inquieta desci e fui em direção daquela praia.

Solitária, observava a imensidão do mar.

Adoro água...mas não sei nadar.

No dia seguinte tentaria arrumar alguém para ensinar-me.

O mar tão cheio de mistérios, de espécimes diferentes, quantas embarcações estariam no fundo dele, quantas histórias teria para nos contar? Mistérios e mais mistérios...

A lua e o céu turbulento.

Com meu ipod, ouvia músicas próprias para o estado em que me encontrava.

Namor se encontrava atrás das pedras, sentiu uma melancolia e um cheiro delicioso de fêmea vindo do ar.

"A garota está perto. Garota? Não sei como sei mas, sim, é uma garota. Possivelmente mais perto que o esperado"

Pôs-se a andar e acelerou.

"Devo encontrá-la."

Uma necessidade, inexplicável mas intensa. Uma determinação primitiva.

"Tenho que encontrá-la já. Tenho pouco tempo...e terei que voltar antes do amanhecer."

Namor, girou pelo ar mais rápido que nunca, até que do outro lado das rochas, pôde ver o perfil da jovem. As sombras capturaram a luz da Lua e ocultaram o rosto feminino.

Sentiu a tristeza dela num impacto que se amplificou , se triplicou, quando viu que os ombros dela tremiam. Então era ela! A garota fonte da sua granada emocional, uma simples humana, sozinha naquela praia, longe das outras pessoas e ele estava sentindo sua emoções.

" Não fique triste, pequena Selene...

Voce é valiosa demais para a sobrevivência da nossa espécie..." - a caricia aveludada daquela voz insinuou-se em minha mente.

" Quem é voce? Como pode falar assim comigo?Através da minha mente?"

- Calma, pequena Selene, não lhe farei mal...

- Enganou-se de mulher, não deixarei ninguém me fazer mal...fique certo disso!

"Que brava! Não vou fazer-lhe mal , minha ferinha. Mas tenho que admitir que a idéia de ...saborear voce..é a única coisa que vem em minha mente no momento e sequer vi seu rosto ainda...assim quem está controlando quem aqui?" - ele riu e insinuou-se na minha mente, ardente, era...Sexo.

Uma onda de calor banhou-me por inteira, rodeando-me."

"Aproxime-se mais de mim, pequena Selene. Preciso ver seu rosto..."

Empurrei o capuz da blusa para trás e deixei meus cabelos ruivos à mostra, despenteados até os ombros, alguns fios úmidos.

O corpo de Namor estremeceu diante aquele rosto pálido, cansado, mas meigo. Os olhos castanhos melancólicos, mas ao mesmo tempo em chamas.

Ela era uma ferinha!

Eu o olhei.

- Posso saber quem é voce e como se coloca assim na minha mente? E não recebo ordens...!

A voz dela era poesia lírica, sensual, uma música que lhe acariciava os ouvidos. Tocava-me como uns dedos delicados roçando as cordas de uma harpa. Meu corpo de atlante estremeceu de tesão.

Emoção. Aquela mulher estava emitindo emoções.

Precisava tocá-la.

Quase sem pensar, esticou o braço para lhe tocar o rosto com as pontas dos dedos. A mulher tremeu, mas não se afastou, assim Namor se atreveu a lhe acariciar a curva da sedosa bochecha com dedos trementes. Ansiando algo. Com um desejo que brotava de não sabia onde.

Um desejo são, limpo. Fazia mais de um século que não desejava nada. E certamente não nos últimos anos.

Nada puro.

Fiquei olhando aquele homem. Minha mente conjurava minha fantasia mais erótica em relação aquele homem bonito e sensual.

Era uns vinte e dois centímetros mais alto que eu, que media um e sessenta e cinco, e tinha um corpo que era o sonho erótico de qualquer ninfomaníaca. Ombros e braços, um peito largo, corpo de nadador.

Levantei meus olhos de repente e minhas bochechas arderam quando fui surpreendida devorando-o com o olhar.

O cabelo escuro e sedoso lhe roçava os ombros em ondas resplandecentes que emolduravam um rosto bonito. Sim, Bonito.

Ele levantou o meu queixo com um dedo e o olhei novamente; estava sorrindo, o humor lhe iluminava os olhos escuros, quase como se tivesse ouvido o que estava…

— Ai, Deus. — murmurei —

A vergonha era quase um simples efeito secundário.

O homem roçou minha bochecha com os dedos, com tal doçura que estremeci pela sensação, e depois falou no interior de minha cabeça com uma voz que deveria estar proibida.

“Posso ouvir seus pensamentos mas, por alguma razão, também posso sentir suas emoções. É impossível, mas é verdade.”

Whisky envolto em veludo. Uma voz profunda, pura e masculina, com um tom suave e rouco que se enrolava ao redor das minhas terminações nervosas até que minha pele se esticasse de desejo. Um desejo que me acariciava cada zona erógena que jamais tinha percebido em meu corpo.

Desejo de que me tocasse. Desejo de que seguisse falando por aquele atalho mental.

Desejo.

A voz masculina ressonou em minha mente, brusca. Tensa.

“Estou te ouvindo, e possivelmente deveria pensar em outra coisa. Porque há algo em você que está me abrasando por dentro e não sei se estou em condições de controlá-lo.”

Percebi seu desconcerto, quase como se estivesse procurando a resposta a um problema insolúvel. Aproximou-se um pouco mais, me envolveu a nuca com uma mão, com suavidade.

“Preciso te tocar. Não quero te assustar mas, por favor, me deixe te tocar. Só quero pousar a testa na tua.”

Em seus olhos havia um simples pedido.

“Por favor.”

Tremendo, segura de que tinha que estar louca para aceitar, assenti de todos os modos. Não podia evitá-lo. Havia algo dentro de mim que me impedia de fugir. Possivelmente fosse loucura, ou possivelmente só a subida de adrenalina.

Mas cada instinto protetor que tão bem tinha servido em meu trabalho, e que deveria estar gritando: CUIDADO, CUIDADO, SE AFASTE DESSE ESTRANHO, estava gritando: SIM, SIM, SIM, ME TOQUE, ME TOQUE...

Despertei de repente da minha excursão mental ao dar-me conta de que o melhor Homem que jamais eu tinha conhecido estava se inclinando na minha direção.

Aos poucos seu rosto se aproximava do meu, como se fosse beijar-me.

"Ah, tomara que me beije...quero sentir seus lábios nos meus..."

O homem esboçou um sorriso lento de pura satisfação masculina que o fazia parecer ainda mais o predador do que era.

“Não há problema, pequena Selene aknasha. Mas antes, quero sentir o roce de sua mente.”

E com isso, o homem baixou a cabeça e apoiou a testa na minha.

Meu corpo endureceu e se afastou com tal força que teria caído se ele não houvesse me segurado com mãos fortes que me agarraram pelos braços.

"Era ele. Ele. Namor. Chamava-se Namor e era… Uma espécie de líder. Os pensamentos e as impressões saltavam da mente dele para a minha, afogando-me em sensações e cores. Seus… Pensamentos..? Sua aura? Sua alma..? Um verde azulado vívido, como um lago da água mais transparente ou as profundidades do mar.

Me retorci em seus braços, tentando escapar da intensidade daquela mente que me capturava, mas ele me segurou com uns braços que eram como barras de aço.

Eu tentava respirar, tentava manter a distância. Já não pretendia afastar-se, só queria entender. Como? Como era possível que estivesse dentro da minha mente? Percebia-o… O conhecia, o entendia a um nível fundamental. Podia ler a feroz determinação daquele homem de descobri-la, de explorá-la, de… Fazê-la sua? A intensidade daquele exame mental mudou, e com toda a sutileza do maremoto que aquele homem tinha provocado pouco antes, converteu suas emoções em uma efusão de desejo sexual.

Um apetite violento, voraz , onde eu despertava esse desejo nele, da mesma forma que sentia-me em relaçõa a ele.

— Namor. Chama-se Namor, não? Não sei como sei mas… Eu sou Selene.

Ele jogou a cabeça para trás e respirou fundo.

Aquela mulher, aquela pequena fêmea humana, tinha coragem!

Tinha penetrado com a sua mente na dela e ao roçar seu núcleo principal, os pensamentos de ambos se fundiram.

Um só roce e já a conhecia. Num nível intelectual e emocional.

— Outra vez. Preciso te tocar outra vez. — disse com voz brusca enquanto a atraía para ele — Por favor.

Baixou os olhos e me olhou, desejando que não o negasse. Sustentei-lhe o olhar, o medo se apagava convertido em aceitação, e então assenti e fechei os olhos ao tempo que elevava a testa para a dele.

Mas daquela vez ele não queria um simples roçar inocente. Precisava saboreá-la. Só por um instante. Sabia que estava mentindo ao falar de um instante, enquanto o pensava. Mas não lhe importava.

Precipitou-se sobre ela e tomou seus lábios com os seus. Com o primeiro toque de sua boca os olhos dela se abriram de repente e ofegou apenas tempo suficiente para que a língua masculina penetrasse sua boca e completasse a posse. E, com o sabor daquela boca, todo pensamento coerente saiu voando da cabeça de Namor. Sentiu a energia que estalava em seu corpo.

Nem sequer tentou detê-lo. O mar ferveu pela borda da areia e abaixo deles, e o vento converteu-se em um torvelinho a seu redor.

Com a força de um ciclone.

O corpo dela estremeceu e se arqueou para ele. O corpo de Namor se endureceu além do que ele esperava. Agressivo, dominante, até que a roupa esteve a ponto de lhe estalar pela pressão.

Penetrou e tirou a língua da minha boca, empurrando-a e retirando-se com uma cadência mais antiga que o tempo.

Namor queria subir pela calidez daquela boca e meter-se no refúgio do seu corpo, tudo de uma vez. Beija-la enquanto estocava dentro dela.

Tentando ser prudente, elevou sua mente, procurando abrir caminho para deter a ânsia feroz que o cometia.

- Selene. Chama-se Selene. É humana.

Isto não está certo.

Acariciou-lhe o rosto.

Ao tempo que ele me atraía para a rigidez de seu corpo, eu soube que tinha que estar sonhando.

Queria subir pelo seu corpo, introduzir-se nele, sentir aquele corpo esfregando-se contra mim, penetrando-me. A intensidade daquele sentimento me emocionou ao tempo que gemia e pedia mais, mais e mais, toda minha razão perdida em uma tempestade de desejo.

Necessidade.

Agarrei-me a aqueles bíceps duros como pedras, tentando não cair. Possivelmente o que tentava era atraí-lo mais para perto de mim. Movi minhas mãos, pousando-as no peito masculino, abaixei-as ao estômago duro e plano e logo as subi até o pescoço. Coloquei os dedos em seu cabelo. Mais perto, mais ainda. Depois ouvi um gemido, e era EU. Estava choramingando.

Deixei de respirar alguns segundo, concentrando-me nas emoções daquele homem

Eu estava perdida.

A ideia de perder-me fez voltar um breve instante de racionalidade. Lutei para afastar-me dele, para encontrar um pouco de prudência, para batalhar contra aquele desejo voraz.

A prudência teve que render-se.

Emiti um gemido diminuto na boca dele e ele também se perdeu.

Desejava-a, a ansiava, necessitava-a. Só a ela. Só a ela. Agora.

Namor tentou concentrar-se nos pensamentos dela para evitar lhe arrancar a roupa como um animal. Enviou sua mente ao interior da dela, ao interior de sua alma, e ficou cativado por sua bondade inata, seu desinteresse, sua luz.

Sentiu uma emoção desconhecida e isso o abalou.

Estava perdido.

Ela também o desejava. E ele também a desejava.

Testemunhando aquelas duas revelações, seu espírito e seu desejo, o calor ardente explodiu com a intensidade de um vulcão em erupção em seu interior. A paixão e a energia elementar do ar estalaram e rangeram ao redor de seus corpos, queimando ao atlante por dentro.

Seu corpo explodiu em chamas e quis mais, muito mais. A necessidade se tornou voraz. Só um toque. Só um pouquinho. Um pouquinho que continuou para sempre.

Acariciou-lhe com as mãos as costas, atraiu-lhe os quadris um pouco mais para seu calor, sua necessidade e rigidez. Sua mente e seu corpo clamavam a gritos esse único momento.

Seu cheiro, a seda de seu cabelo, a calidez da pele feminina junto à frescura da espuma do mar dele, tudo combinou para tirar a missão incumbida de sua mente com um estalo.

Queria, não, precisava afundá-la na areia e fazer seu, aquele corpo uma e outra vez, afundar-se em seu calor com a fúria incansável das ondas. Seus sentidos apurados sentiram o desejo feminino, um desejo que se elevava para igualar-se ao mesmo tempo em que a mulher se agarrava a seus ombros. As mãos de Namor percorreram as curvas femininas, acariciaram sua suavidade, moldaram seu corpo ao seu com tal força que aquela mulher teria que render-se a seus desejos.

Algo primitivo, selvagem, elevou a cabeça em seu interior e exigiu que fizesse precisamente isso.

Que exigisse o que era dele. E deixasse sua marca nela.

Sua marca. As chamas. De repente se deu conta de que a marca de Poseidon que levava na nuca lhe queimava a pele.

Totalmente perdido tentou pensar, estudar a sensação, mas seu corpo se afogava em uma necessidade pura.

Perdido na mente e no corpo daquela mulher, Namor a beijou, reclamou-a com a boca. Apertou as mãos sobre ela até que ela gritou um pouco. O diminuto gemido o arrancou de sua loucura e ficou quieto, enquanto sua prudência tentava ressurgir por algum lugar.

Ela afastou a cabeça com os olhos confusos e os lábios inchados.

— Machucou-me. — sussurrou.

Soltou-a imediatamente, com as mãos trementes e amaldiçoando-se por lhe haver causado algum tipo de dor.

— Sinto-o… Eu… Não tenho desculpa.

Inclinou a cabeça, custava-lhe respirar.

Depois elevou os olhos e a olhou.

— Por favor, aceite minhas desculpas. Eu nunca…

Esboçei um pequeno sorriso. Estava tremendo. Possivelmente tanto de medo como de paixão.

- Continua...

Nota da Autora:

Raça Atlante

*Atlante, segundo a Teosofia, foi a quarta Raça-raiz desta Ronda. Eles foram os gigantes que viveram 18 milhões de anos atrás, em um continente chamado Atlântida. São os primeiros que podemos chamar de "homens". A Raça Atlante representou o ponto mediano da evolução nesta atual Ronda.

Segundo a Teosofia, os Atlantes foram os descobridores da ciência, religião, arte e magia.

O método de reprodução desta Raça era sexuado.

A Atlântida, assim como os seus habitantes, foi destruida por um cataclismo. Os sobreviventes deste cataclismo fundaram a quinta e atual Raça-raiz, a Ariana.

Ayesk@


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