domingo, 14 de novembro de 2010

Oceano : Atração Inexplicável - Atlante X Humana

Enquanto Namor brigava com sua mente, Selene fazia o mesmo.
'Nada de pensar em sexo, nada de pensar em sexo, nada…"
— De pensar em sexo. — disse Namor sentado.
— O que? — ofegou ela, assombrada por ouvi-lo expressar o que na realidade eram os pensamentos dela.
Ela não deveria estranhar, já que ambos tinham compartilhado suas emoções. Notou que voltava a ficar como um tomate outra vez. Uma das não alegrias de ser ruiva natural ou não; mas branca, era a tendência a ruborizar-se como um vulcão.
Ele juntou as mãos, pousou-as no colo e depois levantou a cabeça para olhá-la nos olhos.
— Temos que falar disto. A intensidade. Da atração que há entre nós, que é intensa. É realmente… — se deteve e pigarreou — Intensa.
Ela caiu na risada.
— Sim. Já vejo que segundo você é intensa. Claro que não fico por aí saltando em cima de todos os príncipes estrangeiros que me cruzam pela frente. Tampouco é que passem muitos membros da realeza por meu bairro, mas já sabe ao que me refiro. Intensa.
Aquele sorriso presunçoso, tão masculino, voltou a invadir o rosto do atlante
Invadiu-a uma onda de calor e voltou a gemer.
— Namor não sei o que é tudo isto. Poderia ser… sei lá... Possivelmente vá reagir assim com todos os atlantes que eu venha a conhecer?
Ele ficou rígido imediatamente na cadeira e se inclinou para frente. As mãos que tinha apertadas no colo ficaram com os nódulos brancos.
— Espero que não, Selene — grunhiu com os dentes apertados — aparentemente não levo muito bem a ideia de que essas suas reações aconteçam com qualquer outro homem, atlante ou o que seja.
Pensar que era ela a que provocava isso, a que o fazia perder o controle, embora fosse um pouco, punha-a em sintonia, por estranho que fosse.
E muito.
Sobre tudo porque não tinha a sensação de que aquele homem fosse dos que perdia o controle. Depois de tudo, tinha visto o interior de sua mente. Um controle rígido, dever e honra.

— Não senti a necessidade de lhe arrancar a roupa e lambê-lo inteiro nem nada. — terminei com um sorriso.
E então me dei conta do que acabava de dizer.
"Oh, treva! Como sou parvaaaaaaaaaa."
E a ele tampouco tinha passado despercebido, sua expressão dizia que ele também queria lambê-la inteira.
O calor atravessou o centro do meu ser e tive que apertar as pernas para evitar a umidade que transbordava.
"Ok, Fica proibido pensar em príncipes altos, lambendo a quem for, ou o que quer que seja."
O atlante se levantou de repente da cadeira.
— Selene, até que entendamos por que estamos reagindo assim, possivelmente seja melhor que não nos aproximemos muito.
— Sim, certo, está bem. De fato, por que não me leva de volta a minha casa…— respondi, inexplicavelmente ferida por havê-lo ouvido expressar o mesmo que ela tinha pensado apenas uns momentos antes.
Ele girou para olhá-la desde sua altura.
— Sinto muito, mas você não vai a nenhum lugar.
A dor se transformou em um abrir e fechar de olhos.
— O que quer dizer? Olhe, pode ser que tenha direito a manipular seus lacaios atlantes, mas eu não sou uma deles. No que diz respeito a mim, seus direitos se reduzem a zero.
Ele se dirigiu com passo firme à cama e se sentou ao seu lado, antes que ela pudesse mover-se.
— Não se trata de direitos, "aknasha".
Senti sua carícia e olhei para minha mão e me perguntei se ele se dava conta de que estava acariciando o dorso da minha mão com o polegar. Depois me perguntei como era possível que um gesto tão simples pudesse fazer que me derretessem os ossos.
Temi de repente que aquele homem estivesse utilizando comigo algum tipo de versão atlante de controle mental.
Afastei as mãos de um puxão antes de falar.
— O que me está dizendo é que me destroçou a vida.

— Não. — disse ele em voz baixa — O que estou dizendo é que você complicou a minha. Em primeiro lugar, minha terra. A Atlântida. Levaria anos para que pudesse te falar sobre Atlântida. Boa parte do mito, algo da lenda e inclusive certos fragmentos das fantasia, são verdade.
— Mas nada de guelras?
— Definitivamente, nada de guelras. Somos muito parecidos com vocês.
— São humanos, com poderes especiais?
Ele negou com a cabeça.
— Não, humanos não. Primos de sua espécie, sem dúvida alguma. Mais perto da humanidade que dos metamorfos. Muito diferentes dos não mortos. Vivemos em harmonia com sua espécie durante muitos milhares de anos.
— E então afundaram sob a água e agora vivem em uma bolha, é isso?
— Não, nada de bolhas. E tampouco há sereias, antes que me pergunte.
— Ah! Eu adorava as sereias quando era pequena. Queria crescer, ter um golfinho de mascote, nadar com minha cauda de peixe e tudo isso.
Ele se inclinou para frente, fitando-a nos olhos.
— Esta noite, foi à praia. Por quê?
Me senti incômoda de repente, e evitei olhá-lo.
— Não sei. — admitiu — Adoro água, e o mar me fascina. Apesar de não saber nadar, gosto do mar, ele é misterioso, fascinante...e a água me acalma, me relaxa... — Olhe, sei que possivelmente acredite outra coisa, pelo modo que reagi contigo, mas não é que seja uma espécie de ninfomaníaca.
— E isso seria um problema por que… — disse ele arrastando as palavras, enquanto lhe voltavam a brilhar os olhos ao olhá-la.
— Não seja pervertido. — lhe disse com uma gargalhada.
Ele a olhou sério.
— Sou Namor, príncipe supremo de Atlântida. — disse com voz terminante — Os Guerreiros de Poseidon foram os defensores da humanidade durante mais de onze mil anos e eu, seu líder durante séculos.

Levantou-se e ao chegar na porta a abriu com um puxão, deu um passo e ela ouviu o estalo inconfundível de uma fechadura. O impulso a levou até o final. Puxou o trinco, mas só confirmou o que sabia quando ouviu o ruído.
Aquele pedaço de príncipe ditatorial, despótico e arrogante a tinha prendido no quarto.
" Ah, ele ia pagar muito carooooo."
"Estava fodido.- pensou Namor"
A menos… A ideia que lhe tinha gelado as veias cintilou de novo em sua cabeça, negando-se a desaparecer. Os contos que sua mãe lhe contava antes de ir dormir sobre os antigos senhores de Atlântida e suas damas. Contos de ferozes batalhas e um amor perdurável.
Relatos do legendário dom da fusão das almas entre um atlante e sua companheira; o dom que marcava o coração de um guerreiro e sua alma com tanta certeza como o símbolo de Poseidon que tinha marcado na pele.
Era impossível. A fusão das almas era uma lenda, uma fábula. Um conto de fadas. Nada mais. A fusão das almas não existia.
“Namor?” Um tom delicado em sua mente.
"Selene..."
Fechou os olhos e respirou fundo, sentindo seu aroma suave e tentador.
Mais segura, e mais alta, a voz da jovem atravessou como um trovão sua cabeça.
“Namor! Mova seu traseiro e vem abrir esta porta, ou penso em amassar sua cabeça!”
O atlante pôs-se a rir ante a contradição. Ah, sua flor, tão delicada e ao mesmo tempo uma ferinha...
Recuperou a compostura e lhe enviou a resposta: “Já vou. Tenta não comer a parede, certo?”
Sentiu um ligeiro vestígio de humor que o atravessava como uma faísca a jovem pôs-se a rir. E logo uma sensação na cabeça, como uma porta fechando-se; que bloqueava qualquer vestígio que tivesse dela.
"Oh, sim! Sua ferinha estava muito irritada. Ia ser divertido.Ou não."


Era uma loucura, mas sabia que podia confiar nele. Era assombroso: ser capaz de sentir as emoções daquele cara. Ele queria protege-la.
O olhou. Era justo que um homem estivesse inclusive mais bonito pela manhã?
Era uma compulsão. Um desejo.
— Aposto que você traz aqui um montão de mulheres, não?
O atlante girou em volta para olhá-la.
— O que? Do que está falando?
— Não é mais que um homem que se dedica a raptar mulheres e às arrastar a sua guarida do mal.
— Você se droga ou o que? Ou todas as mulheres humanas são tão ilógicas como você? — parecia realmente confuso, coisa que quase a fez sorrir.
— Além disso, vai me deixar sair daqui logo? Não é que estar sequestrada não tenha sido divertido,mas tenho que voltar, tenho que trabalhar daqui dois dias.
Estremeceu-se ao ouvir aquele grunhido baixo e terminante, que começou no peito masculino e foi subindo até a garganta.
— Você não vai a nenhuma parte, Selene — disse o atlante
A expressão de seu rosto era possessiva e predadora. De repente se parecia com um animal selvagem que tivesse que defender seu território.
— Vai começar a mijar pelas paredes para marcar seu território? — perguntou-lhe, toda doçura com um sorriso.
Um momento depois ele cruzou o quarto e no seguinte empurrou-a para trás até que o traseiro feminino se chocou contra a cômoda.
Eu mordi o lábio, sufocada. O aroma masculino, estranhamente parecido ao do sol sobre o mar, limpo e vigorizante deixou-me com vontade de enfiar o nariz no pescoço do atlante cheirando-o.
Ao invés disso levantei as mãos e as pousei no peito para bloqueá-lo.
Ele me puxou e abraçou-me com força, enterrando o rosto em meu cabelo.
— Mi amara Selene.
Eu me afastei um pouco
— O que significa isso?
Ele sacudiu a cabeça, tinha um nó na garganta, além disso acreditaria que estava louco de verdade se lhe dissesse que a tinha chamado de "sua Amada Selene".

Continua...

Ayesk@


Nenhum comentário: