domingo, 14 de novembro de 2010

EDELWEISS

1944, Günther Henkel completara dezoito anos, a Áustria estava sob o domínio de Hitler, fora anexada ao território alemão em 1938 e seus soldados faziam parte do poderoso exercito nazista. Com o país desfigurado pela grande guerra não restavam alternativas para o povo, os jovens eram convocados ao completarem dezoito anos.
Numa tarde Henkel recebeu a esperada carta, fora convocado para lutar na guerra, seus olhos brilharam, ele não era mais criança, era um homem e defenderia com orgulho a pátria alemã.
Com a carta na mão, saiu correndo pela rua, a primeira pessoa a receber a noticia seria Frida, sua linda namorada desde os tempos em que eram crianças.
- Frida, olha só, a carta chegou, vou para o front em dois meses.
- Não - Respondeu Frida decepcionada. Seus olhos derramaram lágrimas e ela o abraçou.
- Pensei que ficaria feliz? - Vou defender a nossa pátria...
- Nunca, nunca ficaria feliz vendo alguém que amo partindo para a guerra, para essa maldita e injusta guerra.
- Não se preocupe, eu voltarei e então nos casaremos, prometo.
Um leve sorriso se notou nos lábios de Frida, porém seus olhos mostravam uma grande tristeza.
Com o passar dos dias, Henkel começou a pensar com mais clareza, teria que deixar sua pequena cidade, os campos verdes, a linda vista dos Alpes austríacos e o pior, teria que deixar Frida, o seu grande amor. Começou então a sentir um certo medo, não por ele, mas por ela, o quanto ela sofreria se ele não voltasse e fazê-la sofrer era a última coisa que ele desejava.
Günther Henkel se apresentou no quartel, e começou os primeiros treinamentos.
Henkel resolveu procurar por Hans Möller, um velho amigo da família e ex-combatente da primeira grande guerra.
- Sr Möller, estarei partindo para o front em poucos dias e por esse motivo vim procurá-lo, preciso de seus conselhos, estou com medo e tenho certeza que deixarei transparecer esse sentimento ante os soldados, não quero parecer um covarde, o que devo fazer?
- Ouça meu jovem, eu sei que não tem medo de morrer na guerra, seu medo é por outros motivos.
- Mas o que devo fazer Sr Möller?
- Você quer provar para você mesmo que é um soldado corajoso, não é? Saiba que numa guerra não existe coragem e sim o instinto de sobrevivência, matamos nossos semelhantes para salvar nossas vidas, isso não é coragem. Porém para provar a si mesmo que é um homem de coragem vou lhe mostrar um caminho bastante dificultoso. No topo das montanhas geladas cresce uma flor, parece frágil, mas ela resiste às mais terríveis condições climáticas. Suba até lá e traga essa flor que só existe nas grandes altitudes dos Alpes, será um ato de coragem.
- Uma simples flor Sr?
- Não é uma simples flor, estamos falando da Edelweiss, a flor símbolo da Áustria, a flor do soldado, aquele que a tiver na lapela de sua farda será respeitado por todos, é o maior ato de coragem e sacrifício de um homem.
Alguns dias antes de sua partida, Henkel se propôs a escalar as montanhas geladas e provar não só a sua coragem para lutar na guerra, mas principalmente a coragem para superar seu medo, o medo de fracassar e magoar o grande amor de sua vida. Partiu solitário para as geladas montanhas alpinas.
Durante sua perigosa escalada através do rochedo perigoso, Henkel ainda duvidava do poder dessa flor mítica. O frio era quase que insuportável, seus dedos estavam adormecidos, o risco era grande, todo o cuidado era pouco, uma vez que rochas escorregadias poderiam lançá-lo ao abismo, mas ele continuava a subir determinado, o vento forte e gelado quase que o desequilibrava, mas ele não desistiria, não voltaria sem a flor dos Alpes, até que muito tempo depois e com muita dificuldade, Henkel sentiu que suas mãos tocaram num arbusto sobre a neve endurecida, esticou o corpo e seus olhos agora miravam para as pequeninas e brancas flores entre as rochas, ele encontrara as Edelweiss.
Por algum tempo ele permaneceu olhando fixamente para as flores, pareciam tão insignificantes, porém ele sabia do sacrifício que fizera para chegar até elas e tocá-las, apanhou apenas duas e começou a descer cuidadosamente a perigosa montanha.
Quando retornou à sua casa estava exausto e bastante debilitado pelo esforço constante em busca da flor dos Alpes, deitou-se cansado e rapidamente caiu no sono profundo.
No dia seguinte, quando Henkel acordou já anoitecia, ainda se sentia dolorido, olhou para a mesinha ao lado da cama e viu os dois exemplares que com muito sacrifício fora buscar. Levantou-se, vestiu sua farda, pegou uma flor e seguiu para a casa de Frida. Ela o recebeu no portão e ficou espantada com o visível abatimento no rosto de seu jovem namorado.
Ele lhe estendeu a flor:
- Frida, quero que receba esta flor como prova da minha coragem e do meu amor eterno, amanhã estarei partindo para a frente de batalha e aconteça o que acontecer, nunca se esqueça de mim.Te amo.
Frida recebeu emocionada a pequena e valiosa flor, o abraçou e se beijaram apaixonadamente.
Ela olhou fixamente para os tristonhos olhos azuis de Günther:
- Meu querido, como prova do meu grande amor por você, esta noite quero ser sua e que esta data seja eterna na minha mente, prometo que nunca, nunca o esquecerei, aconteça o que acontecer.
Delicadamente Frida segurou sua mão e o puxou em direção ao quarto.
Entre beijos apaixonados vão se despindo, Günther sente a pele macia de Frida, sua mão desliza pelo corpo imaculado e suas mãos sentem o calor de seus seios, sentem o bater forte de seu coração apaixonado, ele beija seu rosto e a conduz para a cama.
Frida vê o corpo nu de Günther sobre ela, ofegante e cheio de desejos, sente seus lábios envolvendo todo o seu corpo e ela se entrega ao prazer daquelas caricias, ela sente o sexo teso esfregando em suas coxas, ela abraça com força o corpo jovem e o puxa contra si. Quantas coisas ela gostaria de falar naquele momento sublime, mas sua voz estava embargada, ela sentia um prazer nunca antes percebido.
Günther sentiu seu pênis na cavidade quente e úmida e lentamente começou a penetrá-la, nos olhos morteiros de Frida ele via a satisfação da entrega sem remorsos, nos seus gemidos a emoção deste momento até agora desconhecido de ambos. Seus movimentos agora eram frenéticos, ela delirava e se contorcia, seus corpos entrelaçados e sedentos, estavam entregues à magia daquele instante, instante em que duas almas se encontram pelo mesmo motivo: O prazer de dar amor, o prazer de receber amor, o prazer mútuo levando dois corpos ao delírio.
Frida sente dentro de si a virilidade masculina que em estocadas fortes a leva aos céus, sente o membro dentro de si mais latejante e entre os gemidos de seu parceiro, ela sente jorrar o líquido viscoso, levando-a ao êxtase e ela se entrega ao gozo, ao prazer deste momento único.
Corpos abraçados, cansados e suados, ficaram colados trocando caricias e sussurrando palavras de amor.
Dormiram abraçados, na manhã seguinte Henkel se levantou antes de clarear o dia, despediu-se de Frida com um beijo apaixonado e com a voz entrecortada disse:
- Me espere, eu voltarei.
- Eu sei meu amor, vou rezar por você, vou pedir aos céus que nada de ruim lhe aconteça.
Ele partiu para o Front, os Aliados desembarcaram na Normandia no dia 06 de junho e a guerra à partir daí tomaria seu rumo mais sangrento.
Somente dois meses depois da partida de Günther, Frida recebeu a primeira noticia, uma carta:
_“ Minha querida, sinto saudade. sinto sua falta, eu gostaria de estar neste momento no aconchego de seus braços, porém estou num buraco, com água até os joelhos, cercado por corpos mutilados, passando fome e frio, não durmo à dias, a morte nos espreita a cada passo, o inimigo nos cerca de todas as maneiras e sinto medo, medo de não voltar a vê-la, medo de não sentir mais o calor de seus lábios, mas o amor que sinto por você me dá forças para sobreviver, porém quando eu voltar não pense que terá de volta o seu Günther, eu mudei, a guerra é implacável, ela destrói nossos corações e nos transforma em animais ferozes, não sei se um dia vou conseguir sorrir novamente, Mas quero que saibas que eu te amo mais do que minha própria vida. Sempre seu: Günther”
Para o desespero de Frida o tempo passava e não chegavam novas noticias do Front, mais 38 dias se passaram, até que...
Frida estava na casa dos pais de Günther quando o carro preto parou em frente ao portão, dele desceu um oficial, trazia nas mãos uma caixinha e um envelope, ele os entregou em suas mãos, levou a mão direita à altura da testa e lhe prestou reverência, sem dizer uma única palavra voltou para o automóvel e partiu rapidamente. Frida abriu o envelope e começou a ler a carta, lágrimas rolaram pelo seu rosto alvo, com as mãos trêmulas ela abriu a caixinha, nela tinha uma medalha em forma de cruz juntamente com a florzinha seca, ela segurou a Edelweiss na palma da mão e a pressionou contra o seu ventre, levantou os olhos marejados em direção às montanhas cobertas de gelo e entre soluços, mas com a dignidade de uma mulher decidida, falou em voz alta:
- Não meu amado Günther, você não se foi, você vive dentro de mim e esteja você onde estiver, tenha a certeza de que com todo o meu amor e com todas as minhas forças, lutarei para que sua semente se desenvolva e cresça feliz num próspero e pacifico país livre.


  
* A flor de Edelweiss (Branco Nobre, em alemão), nasce entre os rochedos dos Alpes europeus, acima dos 1,700 metros de altitude. Símbolo da realeza austríaca, essa florzinha quando seca, pode durar 100 anos, por isso é considerada a flor do amor eterno.


Escrito por Dayo_li

3 comentários:

Odair disse...

Esplendido, maginifica história contada com uma perfeição incrivel, como descendente de austrácos fiquei muito feliz de ler esse conto que narra, além de um amor eterno, a história dessa flor que é cantada em versos e prosas.

Obrigado por postar um conto tão emocionante.

Odair

Ayeska disse...

Obrigada Odair, não imagina o quanto fiquei feliz em receber seu comentário. Realmente me apaixonei pelo conto e pela história da "florzinha" do Amor Eterno, assim que meu amigo querido, Dayo_li me contou.
O blog pode ser de contos eróticos, mas devemos prestigiar esse tipo de conto também; que fala de um sentimento tão raro hoje em dia, entre Homens e Mulheres: Amor!
Bjs doces!!

Ayesk@

Ana Mariah disse...

Lindo conto amada!