domingo, 3 de outubro de 2010

Casalzinho em Floração

Casalzinho num cantinho escuro do play, depois das dez. Ninguém perto. Medo e curiosidade. Vontades. Ela, tremendo de dar gosto, acomoda-se num ângulo de parede. Respira ansiedade. Ele parece mais calmo. Só parece. Olham-se. Ela sorri, tímida; ele, nem tanto. Faz-lhe um carinho no rosto, um cafuné no cabelinho louro, curtinho, no que ela dá uma encolhidinha, toda dengosa, encosta a cabeça no próprio ombro, prendendo a mão dele. Passa a outra mão nos braços dela. Sente os pelinhos eriçados. Gosta. Acaricia-lhe o lóbulo da orelha. Ela se encolhe mais ainda mais. Sensível até dizer chega, fecha os olhinhos, toda arrepiada. Ele sorri e segura no rostinho dela com as duas mãos. À suavidade do afago, ela abre os olhos. Olham-se. 

Mas ela torna a fechá-los. Beija-a devagarzinho, só lábio com lábio. As boquinhas se roçam pra lá e pra cá, bem de leve, sem pressa. Um tempão. O quentinho da respiração dele no narizinho dela e a dela no dele. Narizinho com narizinho. O hálito, ai o hálito. Fresco de cheiro, mas morninho. Inda mais que tá friozinho. Bom pra esse roçadinho de boca. Sequinho, ainda. Só lábios. Dá aquela sedezinha que num existe em lugar nenhum do mundo. O ventinho do hálito, boquinha pra lá, outra pra cá. Ela com a mão na nuca dele. O outra meio perdida, meio no ombro dele. A língua dele molha um pouquinho a boquinha sequinha dela. Lambidela, só. Né lambidão, não. Outra lambidela. Ansiosa, cada vez mais, pega coragem e abre um pouquinho os lábios. A pontinha da língua bate nos dentinhos dela e se esfrega neles. Ela respira forte, mais coragem. Quer, claro que quer. 

O encontro de lingüinhas é tímido tímido. Salivinha com salivinha. Gostinho de saliva. Um nojentinho gostoso toda vida. Da gente ficar dormente. Ela fica. Ele também. Boquinha com boquinha, lingüinha, só a pontinha, com lingüinha. Pressa, não. Ainda não. Pra que pressa?
Presa entre ele a parede. Pensa em tudo, não pensa em nada. Até em fugir. Mas como? Ele é mais forte. Não, quer ficar. Tá tão bom. Mas se, mas se ele, mas se ele...Esquece o pensar. Assim, bem coladinha nele é bom, um bom que não existe de tão bom. Agonia tanta que tem vontade de ficar na pontinha do pé. Chega a puxar o cabelo dele de nervoso. Cede, apesar do nojinho. É bom. A saliva dele, a língua dele, todinha. Vontade de chupar. Chupa macio. Nojo gostoso. Chupa mais. Engole a saliva dele. Arrepia-se até os cabelos. Mas é bom.
Vontade de engolir ela todinha. De enfiar também na boca dele. Enfia. Ele gosta, chupa macio também.
Engole a saliva dela. Gostosa. Enrosco de línguas, mistura de salivas, lábios com lábios, dentes com dentes, hálitos. Bom de matar. De se espremer nele, no corpo quente dele. Espreme-se. O coração, nossa mãe, parece que vai sair.

Ela sente. Acha que é. É, claro que é. Duro. Ele roça bem nela. Ai isso, não. Isso sim. É ele, sim. Duro. Não devia deixar. Sabe que não. Mas as dormências se espalham mais forte. Fazem coçar gostoso. Deixa. Coceira doida de boa, bem entre as pernas, nos peitinhos. Ele roça e coça. Ela se deixa ser roçada e coçada. Tem que coçar, senão vai morrer, acha. Ai, os peitinhos coçam mais. Dá vontade de apertar eles dum jeito, sei lá, forte. Muito forte. De espremer, espremer até... Disfarça e aperta-se contra ele. Abraço forte. E adianta?

Nadinha. Esfrega-se, acanhada. Um pouquinho só. Mas tudo coça cada vez mais. E entre as pernas? Também, ele não para de esfregar...e quedê que ela quer que ele pare? Quer nada. Quer sim. E pensa nele, duro. Nela.
Ele nela. Sabe que é assim, que é pra enfiar todo, todinho, bem nela. Imagina. Vê, sente, deseja. E tudo coça mais, os tremores aumentam, as dormências. Entorpecimento. De o ar faltar. As línguas não param. Amaram-se dum jeito que não tem mais jeito. Os lábios também. Paixão tão violenta que se mordem. Devagarzinho, pra não machucar. Só um pouquinho, que é bom. Vontade que vem da alma.
Ele morde mais forte. Ela geme. Chega vir lágrima nos olhos. Mas gosta. Não se vinga, não. Mas chupa com força a língua dele. Vontade de engolir ela toda, que não passa. Grandona, a língua dele. E chupa, e chupa, e enrosca sua na dele, e espreme-a contra o céu da boca, e chupa. E engole a saliva dele. E essa desvergonha faz a aumentar a agonia entre as pernas, nos peitinhos, nela toda.
Também ele não pára de se roçar bem nela. Precisa? Ai que precisa, sim, que dá uma vontade doida de mexer também. Tem hora que ele não se esfrega bem lá. E o bem lá ela nem sabe onde é, só sente. Os corpos, em floração, se falam e se ajustam. Combinam-se. É mais pra cima. Não, aí não. Mais pro lado. Tem que ajudar, senão vai morrer. E então mexe, ajuda. Ajuda ele a coçar no lugar certo. E mexe. Rebola, não. Só mexe.
Disfarça. Aí, bem aí. E volta, assim, aí mesmo. Vem, vai, sobe, desce. Vontade de subir pelas paredes.
Disfarça. Sobe, aí, desce, aí. Aí não, aqui. Assim. Levita.
Não tem vergonha que agüente com uma coisa dessas. Se não mexer, morre. Ela acha que morre. E tudo coça tanto. Até a boca. Mas a boca já tá resolvida com a dele. Amam-se com fome. Mas essa fome se espalha dum jeito maluco. Ela fica na ponta do pé. Abre as pernas em tantinho só. Ele dobra um pouco os joelhos e se projeta entre as pernas dela. Aí se encaixam. Encaixe perfeito: o duro dele no macio dela, bem lá. Tão bom que a roupa vira pele e as bocas se perdem de vez, e os pensamentos se multiplicam, e os quadris dançam o vai-e-vem e o sobe-e-desce cada vez mais indecentes.
Boca e sexos colados, comendo-se, roçando-se, coçando-se. A respiração é forte, quase ofegante. Vontade de gemer. De gritar de tão bom. As tripas se contorcem. Ela sente as golfadas. Molhada. Toda molhada. Gosta do
que sente. De golfar nas calcinhas. E pensa em coisas. E os peitinhos latejam a ponto de doer. Tudo nela é um coçar só. Até na alma.

 Não param. Chupam-se, mordem-se, lambem-se, esfregam-se. Fome de sentir. Ela abre o olho e torna a fechar. Pudor juvenil. Mas não pára. Ele toca no peitinho dela. Não, aí não, isso não, ela pensa. Só pensa.
Macio, macio, mas durinho como ele só. Aperta. Ela geme baixinho, não agüenta. Quer, não quer, quer. Tateia e acha o biquinho durinho, sensível toda vida. Ela geme. Quer: mais que nunca, que tudo. Morde a língua dele. O biquinho pede mais, ele dá um apertinho. Ela, um gemidinho mais longo. Ele gosta. Nova beliscadinha, ela responde gostoso. E morde mais forte. Outra vez. Perdeu o encaixe e se ajeita de novo bem na dureza dele. Se esfrega, pra cima e pra baixo, bem curtinho, subindo e descendo, subindo e descendo. Ele fica doidinho também. Aperta o peitinho todo. Uma perinha. Puxa a blusa. Ela tenta impedir. Não, não, murmura. Talvez conseguisse impedir, se parasse de beijar, de se esfregar. Tão branquinho. Não, isso não, ela murmura. Que cheirinho bom. É de quê? É de que? De leite. Isso, cheirinho de leite. Isso, não, não. O murmuro sai gemido. Passa a língua. Ela pára de respirar. Tadinha, se enrijece toda. Lambe de novo. Bem no biquinho. Durinho de espetar. Ela se contorce. Golfa. Morde o labio inferior. Revira os olhinhos. Um tesãozinho meu deus, linda. Sufoca o gemido. Tenta. Ele segura a vontade de sugar. Brinca mais, sente que ela tá gostando. Ele também gosta. Lambidão grandão. O biquinho se arranhado na língua toda. Ela não agüenta, solta o ar gemendo e aperta a cabeça dele contra si. Quer que ele chupe. Mas não pede. Ele chupa, sem ela pedir. Dá pá botar quase todo na boca. Ela se dissolve em agonias, tadinha. Dá gosto de ver. Ele quase sufoca. Ela se desespera, se contorce, geme e pede, aí pede, entre os dentes, baixinho, mais forte. Bom de ouvir. O outro também. E geme como nunca gemeu, baixinho, gostosamente baixinho. Num dá vontade de parar. Nem ela quer. Era só vergonha boba. Agora que deixou, tem mais jeito, não. Deixa ele. Se beijam e se olham. Ela ri, nervosíssima, ele também, a bem da verdade. Pega na mão dela e leva. Ela não quer. Quer sim, mas tem medo. Puxa de volta quando sente. Não, isso não. Insiste. Ela resiste. Olha e toca no peitinho dela, exposto. Ela se encolhe e golfa entre as pernas. Só um pouquinho. Não, isso não. A voz, um fiozinho. Ele titila o biquinho durinho com a ponta do dedo. Só um pouquinho. A mão dela se enche de mais vontade. Fecha os olhinhos de vergonha. Quando sente a dureza dele, se contorce por dentro e outra golfada afoga-se na sua calcinha.

Bom é, mas dá medo. Medo e curiosidade. Aperta, mexe, sente. Golfa. Por dentro do short, ele pede no ouvido dela, lambendo-o. Sente a medula gelar. Nega, sabendo que quer. Claro que quer. Mas nega. Tem que negar. Nega, mas pega. Pega negando. Não, isso não. E pega e mexe. É duro. É quente. É bom. Ele controla o desespero, a vontade. Beija-a, enterra a língua em sua boquinha, toca em seu pequeno seio, torna a titilá-lo, aperta-o. Ela ofega. E geme comprido quando a mão dele escorre para o meio das suas pernas. Em desespero, cerra as coxas. Não, isso não. Isso não. Mas as coxas afrouxam. O dedinho invade, pelo lado, vence o short e a calcinha. Meio apertado, mas vence. E fica bem nela. Aí, aí, aí. Mas as palavras não saem. Não, mais pra cima. Aperta o pau dele com desespero. Aí, aí, aí. Não, mais pra baixo. E aperta e mexe no pau dele. Geme e se mexe. Ele também ofega. É quente e melada, diz-lhe o dedo. Quentinha e molhadinha. Acha que vai gozar, a mão dela não pára. Se olham e tudo transborda. Aí, aí, mais pra baixo, ela consegue dizer, maneando os quadris. Linda, ela mexendo, olhando pra mão dele e pra dela, sumida dentro do sort. Aqui? Não, não, mais pro lado. Aí, aí. Tem um botãozinho durinho, é nele? Acho que é, é. É nele sim, assim, assim, mais devagar, assim, mais, mais. Tá molhadinha, tão molhadinha. Eu sei, eu, sei... E seu corpinho começa a ter pequenas convulsões, os olhos abrem-se, brilhantes, a pedir um socorro que ele sabe impossível, e esse olhar faz ogozo dele vir, como jamais tinha vindo, soluçante. O dela também, de fazer chorar. Ele soluça, ela chora.

Gemem, se apertam, se contorcem, soluçam e choram. E suas almas se tocam em meio ao êxtase absoluto.Restaura-se o silencio no play vazio. Que a primavera lhes seja longa e duradoura.


Escrito por Sophia

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