domingo, 12 de setembro de 2010

* BAILE DE MÁSCARAS NO MARDI GRAS*




Prólogo


Todos os anos, mais de 4 milhões de pessoas do mundo todo se reúnem em Nova Orleans para participar do que é normalmente chamado de "a maior festa livre do planeta", o festival de Mardi Gras.
O festival de Mardi Gras, também chamado de Carnaval em alguns países, é comemorado internacionalmente.

Em janeiro, a cidade de Nova Orleans começa uma variedade de festas que chegam ao clímax com o Dia de "Mardi Gras", ou "terça-feira de Carnaval', um dia antes da Quarta-feira de Cinzas e da Quaresma. Por aproximadamente 2 semanas antes da terça-feira de Carnaval, moradores e visitantes divertem-se nos inúmeros desfiles, com criativos floats que carregam participantes fantasiados, jogando coloridos e outras bugigangas nas multidões superanimadas. As festas vão pela noite adentro enquanto os festeiros buscam pela típica música de "Nova Orleans", bem como pela comida da Acádia (comida típica dos descendentes dos franceses que migraram da Acádia, no Canadá, e estabeleceram-se em Louisiana, nos EUA) e creole (comida preparada no sul dos EUA por descendentes dos colonos franceses).
A maioria de nós já ouviu falar sobre o famoso "French Quarter" ou Quarteirão Francês (o bairro mais antigo de Nova Orleans), mas muitos de nós não temos idéia do que o festival de Mardi Gras comemora.
O Mardi Gras tem origem no paganismo e no pré-cristianismo, mas mesmo assim a Igreja Católica Romana legalizou o festival como uma rápida comemoração antes da Quaresma. O dia do festival de Mardi Gras, feriado oficial em Nova Orleans, ocorre 46 dias (os 40 dias de Quaresma mais 6 domingos) antes da Páscoa, podendo ser de 3 de fevereiro a 9 de março. O festival foi citado pela primeira vez na América do Norte em 1699, nos escritos do explorador francês Pierre le Moyne, Sieur d'Iberville, que acampou no rio Mississípi, a aproximadamente 80 km ao sul da localização atual de Nova Orleans.

O Mardi Gras começou em Louisiana, feito pelos colonizadores franceses.
As cores típicas do Mardi Gras são: o dourado, que significa poder; o verde, que significa fé; e o roxo, que significa justiça. Outros símbolos famosos do evento são as máscaras de drama, a flor de lis e os colares de continhas. A tradição de nudez do Carnaval de Nova Orleans foi primeiro documentada em 1889, com mulheres mostrando os seios. E hoje é famoso por isso, onde as mulheres, geralmente universitárias, mostram os seios e em troca ganham os colares de continhas.
Originalmente, as fantasias eram usadas para manter secreta a identidade dos membros das alas, mas hoje em dia, o segredo não significa mais muita coisa.
Nesse conto, iremos até o salão de baile de uma mansão em Nova Orleans- Louisiana, onde um baile de Máscaras, uma comemoração particular, onde os convidados só entram com convite dão vazão aos seu desejos mais ardentes e pecaminosos.

E assim começa...




Ao me aproximar daquela mansão estilo Segundo Império; de dois andares, fora da cidade e rodeada de árvores centenárias, meu corpo arrepiou-se.
Ajeitei minha máscara de seda dourada e como uma dama antiga, segurei com as mãos levemente em cada lado da saia do vestido vermelho e decotado ,subindo as escadarias da mansão.
Os risos, gritos e som de uma música antiga fazia com que me sentisse uma personagem de outra época.
Estendi meu convite para o Mordomo na entrada do hall e fui em direção da música e das vozes.
O salão de baile era enorme, um lustre enorme brilhavacom tosos os seus pingentes e no teto figuras de nefilins ou (nephilins) e mulheres humanas em posições sexuais.
Os convidados compunham uma mistura interessante de homens e mulheres e pessoas do mesmo sexo: dançando, tocando-se e se beijando.
Mesmo usando um vestido vermelho por cima do espartilho que realçava meus seios redondos e o colo alvo e macio, procurei passar entre os casais sem ser percebida.
Na realidade, havia sido convidada pelo proprietário do local nesse baile de máscaras privativo para a comemoração do Mardi Gras.
Máscaras de todos tipos e estilos escondiam os rostos e somente os mais íntimos entre eles sabiam quem era quem.
Num canto próximo a uma porta francesa que dava para um dos jardins da enorme propriedade, entre as folhagens de uma imensa planta em um vaso fiquei admirando e registrando em minha mente o que meus olhos ávidos viam no salão.
As danças deixaram de serem apenas dança e os casais passaram a dar vazão aos seus desejos mais secretos e lascivos, repletos de luxúria.
Na outra extremidade do salão vi dois homens dançando com uma mulher em total harmonia.
Um na frente dela, ela no meio dos dois e o outro atrás dela, os movimentos lentos dos três mostravam também o estado de excitação que aquela dança sensual a tres fazia em seus corpos.
Duas mulheres dançavam abraçadas ; uma delas trajava um smoking e os movimentos eram uníssonos entre elas, o beijo que trocavam era faminto, e ao mesmo tempo excitava ver o duelo das línguas de ambas a cada beijo sem fôlego.
Uma cobrindo a boca da outra, enquanto as mãos de ambas acariciavam seus corpos, seus seios esfregando-se de comum acordo.
De repente, senti o ar mudar e um arrepio em minha nuca exposta; pois meus cabelos ruivos escuros encontravam-se presos em um coque frouxo, alguns fios estrategicamente soltos pelo meu rosto e nuca.
A presença era magnética e ao procurar o insistente olhar , deparei-me com um homem alto, trajando botas de montaria, calça preta que moldava suas coxas firmes, a camisa de seda preta um pouco aberta no peito, as mangas compridas, a máscara preta cobria seu rosto deixando pouco para a imaginação e os cabelos escuros.
Ao virar-se em direção do garçon para pegar uma bebida, vi os cabelos presos em um rabo de cavalo até a nuca; por algo parecido a uma tira de couro preto.
De repente senti uma mão tocar meu ombro.
Mesmo com aquela máscara a reconheci.
Minha amiga, aquela que conseguira o convite para que eu entrasse naquele baile.
- Ayeska, é ele... - me disse num sussurro tão baixo que quase não a ouvi.
Ela usava uma fantasia de camponesa, os cabelos claros soltos e uma guirlanda de flores na cabeça.
- Ele? Ele quem? - perguntei empinando meu queixo em desafio para o homem de preto que não tirava os olhos de mim.
- O amigo do meu noivo que me escreveu querendo saber de seus contos eróticos. Ele coleciona contos eróticos para seu uso particular. E se gosta dos contos paga muito bem. Uns dizem que ele é pirata e que sua riqueza vem dos
mares. Outros dizem que ele é um *nefilim, por causa das figuras que ele possui em alguns comodos da mansão. Repare no teto desse salão.
*Nefilins filhos de anjos caídos com mulheres humanas.
- Messalina, sua imaginação está mais criativa que a minha... - respondi sorrindo.
- Acha que é fruto da minha imaginação? Conheço muitas mulheres que se renderam ao charme e sedução dele. Ayeska, ele não é homem de uma mulher só, ele é do tipo: Ame-as e Deixe-as. Quando cansa da novidade , ele as rejeita e parte para outra vítima.
Messalina parou de falar ao seguir meu olhar espantado e ver que o homem todo de preto vinha em nossa direção.
- Boa-noite, Messalina. Essa é a Srta Ayeska? - perguntou com uma voz firme, e o que vi na minha frente foi mais do que um Homem...foi uma atitude. Tinha uma aura de confiança, uma aparencia viril demais que não fazia com que
parecesse civilizado.
Alguma coisa naquele homem mexeu comigo, no âmago do meu ser, fiquei paralisada por sensações conflitantes.
Ombros largos, quadris estreitos e pernas longas.
- Sim, Seth...essa é Ayeska... Ayeska esse é Seth... - sua mão quente envolveu toda a minha pequena e fria.
Meu coração disparado e meu ventre contraindo-se em agonia.
Em poucas palavras me convidou para uma dança, enquanto minha amiga era resgatada pelo seu noivo e amigo daquele homem misterioso.
Nada dissemos.
Senti sua respiração em meu pescoço, sua mão em minha cintura me apertando levemente de encontro a ele, seu cheiro másculo agindo como um feronômio poderoso, um verdadeiro afrodisíaco.
De repente parecia que estavámos apenas nós dois naquele salão.
Nossos corpos se moldavam de forma sensual.
Seus dedos entrelaçados nos meus.
Senti sua rigidez pressionando meu ventre e a contração em meu ventre aumentando e uma umidade escorrendo pelas partes íntimas.
Senti sua respiração alterar-se e um arrepio de tesão transpassou pelo meu corpo, ao sentir seus dentes mordiscarem levemente o lóbulo da minha orelha.
Ahhhh o tesão percorreu meu corpo, desde a cabeça até os dedos mindinhos dos meus pés, como uma descarga elétrica.
Meus seios de repente, ficaram apertados dentro do espartilho, senti os biquinhos enrijecerem e ele esfregou suavemente seu peito no meu.
Como que por vontade própria, minhas mãos entrelaçaram seu pescoço, e meus dedos acariciaram sua nuca.
Senti seu olhar e por trás daquela máscara seus olhos brilhavam misteriosamente.
Ele me puxou para mais perto do seu corpo, como se fóssemos um só. Seus lábios acariciavam a minha face, olhos, testa; suavemente, até que sua boca foi em direção da minha e seus dentes mordiscaram meu lábio inferior.
Um gemido estrangulado pelo tesão saiu dos meus lábios, minhas pernas moles como geléia e a única coisa em mente era ter aquele homem dentro de mim, a noite inteira.
Eu queria saborea-lo, degusta-lo inteirinho, sentir seu corpo nu colado ao meu, pele com pele.
Queria ver seu membro viril, toca-lo, beija-lo, lambe-lo e depois sentir todo seu sabor e textura.
Sua língua brincava com a minha, suas mãos desceram até minhas nádegas e ele me apertou para que eu sentisse como estava ereto. Nossas respirações se misturavam entre pequenos gemidos e sons que amantes excitados fazem.
Se continuassemos assim, eu chegaria ao clímax, sem senti-lo dentro de mim, apenas como estavámos: dançando sensualmente, corpos unidos movendo-se de forma lenta e sensual acompanhando a música , carícias e beijos.
A dança era tão excitante que estávamos mais que preparados para nos acasalarmos como dois animais no cio.
- Ayeska...venha comigo, quero conhecer a mulher que segundo sua amiga, leu livros como: Fanny Hill - Memórias de uma Prostituta, A Arte de Amar e Memórias de um Amante francês...e uma das suas preferidas: Delta de Vênus, Incesto, Henry e June, Pequenos Pássaros e Espiã na Casa do Amor... - com uma chupada leve em meu pescoço e me pegando pela mão, atravessamos o salão e os comodos da mansão e passamos por entre os convidados entretidos entre eles.
O cheiro de sexo , incenso no ar.
Ele levou-me para o andar superior, subimos a escadaria sem falarmos nada.
O segui até o final do corredor , deixando as risadas, o barulho e as festividades para trás.
Paramos em frente de uma imensa porta de madeira maciça e ao abri-la confirmei.
Era sua alcova...



* Nefilim ou Nephilim: Raça híbrida, filhos da união carnal entre anjos caídos e mulheres humanas.

- Continua...


"O ímpeto de crescer e viver intensamente,
foi tão forte em mim, que não consegui resistir a ele.
Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional!
É louca e cheia de mágoa.
Mas não quero viver comigo mesma.
Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal.
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos,
beber um Benedictine ardente.
Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela.
Eu estava esperando.
Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,
com estímulos sensuais em muitas direções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
e entrei em erupção sem avisar."


ANAIS NIN


* Dedicado a voce Fantasma...*


Ayesk@

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