sábado, 8 de maio de 2010

Jogo de Presa e Predador

- Alessandra Maia, provavelmente, merece isso. – Era esse o pensamento, em teores de auto-absolvição, que passava pela mente de um homem oculto, em meio às arvores cobertas do branco da neve, localizadas em um algum lugar alpino do Chile, enquanto planejava seus próximos passos, ao observar um veículo adaptado àquele ambiente inóspito deixar um chalé de aparência conservadora e nobre. O sol estava quase sumindo no horizonte.

A pessoa em questão, uma jovem de família rica, aliás, milionária, pelo que se ouvia por aí, do ramo industrial. Além das fortunas paternas, Alessandra ainda era portadora de boa aparência. Melhor ainda, era bela mesmo. Aos seus 19 anos recém completados, ostentava uma face de ângulos suaves e delicados, olhos castanhos muito claros, cor de mel, quase que amarelados, o que às vezes lhe dava uma aparência meio felina quando sorria com o canto da boca, arteira. O cabelo já era de um castanho pouco mais escuro, liso e longo até as cinturas curvilíneas, herança de sua descendência alemã e espanhola, destas que o Brasil produz por ai. E a pele, em geral branco-seda, estava levemente bronzeada pelas praias brasileiras. A jovem, afinal, era uma atleta, adepta do surf entre outras coisas, e agora se aventurava pelos Alpes Chilenos em férias. Não havia ainda se decidido pelo que cursar na faculdade, e seus pais resolveram lhe pagar uma viagem pelo mundo, quem sabe para que se inspirasse em algo. Simples assim. Uma colega de colegial, em um desses colégios da elite paulista em que Alessandra estudou certa vez lhe disse:

- Quando se está no topo da cadeia alimentar, sempre se atrai a atenção de algum bicho ainda mais perigoso. – Alessandra dava de ombros. Sabia que atraia bastante atenção e até rancor, mas achava poder dar conta de tudo, autoconfiante que era.

Depois de algumas horas em uma festa, onde teve oportunidade de conhecer a artista plástica Ayemi e sua companheira. Ouviu a história de como as duas se conheceram, riu, bebeu vinho e beliscou doces caros (metade do fato de ser odiada no colegial era por comer a vontade e não engordar...). Flertou com alguns rapazes por brincadeira. Não lhes deu bola depois, também por brincadeira. Alguns ficaram com vontade de fazer coisas naquele corpo torneado, sem brincadeiras. Ao final daquela festa, se despediu, e partiu para o chalé da família, onde muito a contra gosto dos pais se hospedara sozinha. Afinal, era uma casa isolada em uma montanha nevada. Alessandra os convenceu de que levaria um par de amigas. Truque, pois ao invés, preferiu ir sozinha, planejava esquiar as principais montanhas do lugar e não queria muitas distrações. Dirigiu a Land Rover de pneus acorrentados pelos arremedos de estrada, caminhos nevados que levavam até seu refúgio na montanha.

Uma mão em luvas de couro digitava um número na casa que esperava Alessandra, e um suspiro de alívio se fez quando tal senha realmente desligara o alarme da residência. O mandante do serviço estava bem informado mesmo, pensou o homem... Até agora tudo tinha sido muito fácil. Roteiro de viagem, localização do chalé, a senha do alarme, mesmo que não funcionasse, quanto tempo demoraria para policia ou alguém chegar ao lugar tão remoto? Mas tudo funcionou. E a garota ainda resolveu vir sozinha! Estava tudo indo muito bem. O homem tomou cuidado de não deixar marcas na entrada. Depois entrou e admirou um pouco o lugar. Grande, aconchegante, bem decorado, bem caro. Viu alguns porta-retratos sobre uma mesa de mogno. Alessandra com a família, amigos... Pegou um, onde a moça aparecia apenas de top molhado e biquíni, segurando uma prancha e com um sorriso. Passou um dos dedos sobre o rosto da imagem e sorriu. Tantas coisas a fazer... Aquele corpo, aquele sorriso... Seriam deliciosos de quebrar.

Alessandra estacionou o carro em uma garagem levemente mais elevada do chão e desconectada da casa, construída de uma forma a se evitar o acúmulo da neve constante.

Teve de caminhar até a porta principal, o trajeto era iluminado por pequenos postes ornamentados que se espalhavam pelos arredores do chalé, se rindo da dificuldade com a qual caminhava, os saltos finos de suas botas afundando na camada nevada das calçadas. Não percebeu nada de diferente quando digitou os números do alarme e abriu e fechou a porta se recolhendo ao calor da casa aquecida. Caminhou pela sala e pegou o controle da lareira automática, fazendo o fogo crepitar com um simples apertar de botões. Retirou o casaco grosso de pele (artificial, Alessandra era ecologicamente correta até onde dava...) e o posou sobre uma poltrona, bem como as luvas de couro cor de vinho e o cachecol de cashmere. Estava elegantemente trajando uma blusa de algodão colada ao corpo e uma saia de couro, até os joelhos, de onde se via suas meias negras desaparecerem nas bordas das avermelhadas botas de cano longo e salto alto, que deixavam um rastro úmido de neve derretido no piso amadeirado por onde Alessandra passava. Quis aproveitar o aconchego do lar e do fogo e retirou a blusa, jogando-a de canto, revelando uma camisa de cetim branco por baixo, a qual desabotoou, deixando-se revelar o sutiã cor de champanhe com negro, peça de marca renomada, sensual. Por último deixou cair a saia, ficando a mostra o topo de suas meias, 7/8, que preferia apesar do frio, achava as meia-calças grossas muito desconfortáveis. Assim, semi-despida, aproveitou um pouco o calor da lareira de olhos fechados e braços cruzados, até o momento em que decidiu ir tomar um banho quente, beber um café forte que lhe dissipasse um pouco o gosto de álcool da boca e quem sabe conversar com amigos via internet. Dirigiu-se ao corredor que levava ao banheiro, os saltos de suas botas ecoando ao chão, quando seu coração saltou de susto...

Um barulho ensurdecedor de música explodiu na casa. A garota rapidamente olhou pela sala, adrenalina lhe eriçando os pelos da pele. Examinou o cômodo paralisada e viu a potente aparelhagem de som ao canto da sala funcionando, sorriu ao achar que era algo automático ou coisa assim, nunca tivera tempo de examinar direito aquela coisa. Aproximou-se do aparelho e procurou o controle para desligá-lo, mas não achou. Estava agora no bolso do homem que se aproximava dela por trás, seu ruído oculto por uma sinfonia de Beethoven que brotava aguda das caixas de som.

A jovem não teve reação, praticamente, quando foi brutalmente agarrada e forçada contra a parede. Nem mesmo quando seus braços foram fortemente torcidos para trás, nem quando sentiu os elos das algemas lhe comprimirem os pulsos. A ação foi tão brusca, tão inesperada, que até o grito demorou a lhe brotar dos lábios. Claro que não adiantou nada. Mesmo sem o som ensurdecedor que vinha do aparelho, a verdade é que ali era um chalé isolado nas montanhas. Ninguém ouviria grito nenhum naquele momento, além da própria garota e do intruso. Ele continuou seu assalto, agora a forçando deitada ao chão, buscando no bolso profundo do casaco as algemas de tornozelo com uma mão enquanto a outra lutava para imobilizar as pernas de sua vítima. A excitação do momento o fez sentir uma ereção.

“Isso mesmo... Lute um pouco” pensava ele. Estava achando aquilo divertido, estava se sentido um caçador de felinos selvagens. Era quase assim que via Alessandra. Uma presa de um caçador. Mas não uma presa indefesa. Uma daquelas que oferecia risco.

Seus dentes quase lhe mordiam os lábios, transpassado de êxito quanto conseguiu a imobilizar, trancar-lhe os elos metálicos nas pernas, deitar por cima de suas costas, e lhe tapar a boca com a mão. Alessandra sentiu o peso dele sobre si, o piso lhe comprimindo os seios, o couro das luvas dele sobre sua boca, o membro ereto por baixo da calça a lhe pressionar a nádega...

Ele usou o controle para desligar o rádio.

- Precisamos de um pouco de silêncio por aqui, não é mesmo? Para conversar melhor... Eu vou retirar minha mão, pode gritar se quiser, ninguém vai te ouvir. Mas eu vou ficar bravo e te machucar. Se ficar em silêncio e conversar civilizadamente, podemos nos entender, ok?

Sem alternativas, ela consentiu com a cabeça. Ele se levantou, levantou-a pelos braços, a colocando em uma cadeira. Ela apenas gemeu de desconforto no processo. Sentada, pode vê-lo. Um sujeito alto, com roupas pesadas, brancas, casaco e calça grossas, luvas de couro negro, capuz de esquiador que lhe deixava os olhos esverdeados e a boca a mostra. Ele ficou de cócoras na frente dela, apoiou seus braços sobre os joelhos da moça.

“Não acredito... como ela é gostosa! E aqui na minha frente, para eu fazer o que quiser”. Ele pensou. Não disfarçava a excitação, sexual e dos ânimos.

Ela recobrou o fôlego. De repente ficou desafiadora.

- Pegue o que quiser e saia. Não há cofres na casa, a chave do carro está no bolso do casaco. – Falou buscando parecer com um ar o mais negociador possível, tentando controlar as batidas fortes do coração.

- Bem que me falaram que você tinha gênio forte. Querendo dar ordens nessas condições. Veja bem, o que eu quiser dessa casa, eu pego. Mas o principal está aqui na minha frente. – Ela apenas olhou para ele, fazendo uma cara de interrogação.

- Te falaram? O que você quer dizer com...

- Senhorita Alessandra Maia, alguém me contratou para lhe dar uma lição. Ou ao seu pai, família, sei lá. Só sei que tenho coisas a fazer com você. Não me leve a mal, é apenas trabalho.

Ele se adiantou a frente e dela, encarando-a bem de frente. Quando a moça buscou murmurar alguma coisa, ele lhe segurou o queixo, com força, a machucando, a mantendo de boca aberta. Com a outra mão, enfiou uma calcinha, a qual tinha apanhado em uma das malas desfeitas na cama. Após ter acondicionado toda a peça íntima na cavidade, com um pouco mais de esforço para mantê-la quieta, lhe enrolou uma fita adesiva grossa e prateada por sobre a boca, em volta da cabeça, mantendo presos inclusive os cabelos da garota junto ao todo. Os olhos dela pareciam lacrimejar. E ele estava cada vez mais gostando da sensação de ser realmente um criminoso...

Lembrou-se de quando um homem, lá com seus trinta e poucos anos ou coisa assim, o chamou até um estúdio velho por telefone. Da penumbra, não pode ver direito o sujeito, que lhe apresentou um monte de fotos da moça e uma grande soma em dinheiro, além do itinerário das viagens dela e outras coisas mais. Ele relutou um pouco, mas acabou aceitando o serviço. Agora, estava achando a coisa mais divertida do mundo, enquanto a fazia se levantar e, segurando em seus braços presos, a arrastava quase até a porta do casarão.

Lembrava do que o tal homem disse: Quero-a humilhada. Quero que ela se sinta vitima, se sinta violada. Quero que ela fique com mais marcas no psicológico que no corpo.

Alessandra apenas tentava inutilmente protestar, sentindo a calcinha lhe abafar os gemidos, incomodamente afixada pela mordaça. Sentiu-o rasgar com um só puxão a cara camisa de cetim e jogá-la de lado. Ela ouviu mais sons de correntes, e antes que pudesse ver melhor, ele lhe envolvia a barriga esbelta e atlética com aquela peça metálica, prendendo-a atrás de seu corpo, e encadeando junto as algemas, impedindo que ela afasta-se demais as mãos daquela área.

- Vou te dar uma chance, por que você tem uma face anjo. Têm um posto de socorro a uns quatro quilômetros daqui, atravessando essa mata no sentido do Monte San Valentin – dizia ele se referindo ao pico chileno – Se você conseguir chegar até lá, que eu acredito que você consegue, pois é toda atleta e coisa e tal, será uma garota salva do homem malvado. – Ao dizer isso, ele lhe acariciou a face, os cabelos...

- Se não, eu vou fazer uma coisa com você. Que acho, não vai gostar.

Ela sabia que ele estava jogando. Seria impossível atravessar a mata, a neve, o frio, apenas de calcinha e sutiã, e com mãos e pés acorrentados daquele jeito. Mais provável era pegar uma hipotermia. Mas Iria aproveitar a chance para pensar em algo. Assim que ele abriu a porta, ela sentiu a rajada de frio lhe atingir o corpo semi nu. Toda a sua pele ficou em estado de alerta.

- Te darei trinta minutos de vantagem. Ele a soltou, e assistiu a corrida desajeitada dela, iluminada parcamente pelas lâmpadas que ladeavam a calçada frontal da casa.

Ela correu como pode. Descobriu outra coisa ainda pra piorar. Era mesmo muito ruim correr na neve com salto alto e fino, como eram os de suas botas, ainda mais com aqueles grilhões nos tornozelos. O frio tomava conta de seu corpo, sua respiração terrivelmente abafada... Se meteu entre as árvores, descansou um pouco e tentou se livrar sem sucesso das algemas e corrente. Mal parou e o frio começou a ficar insuportável. Teve de continuar se movendo. Cada vez mais o escuro da noite, que ela perscrutava com seus olhos felinos, as vezes caindo de joelhos na neve fofa.

Ele mentiu. Não deu nem cinco minutos até começar a persegui-la. E ainda contava com um aparato de visão noturna, que lhe revelava os contornos da paisagem com luz esverdeada. Sabia que ela não conseguiria naquelas condições, mas não podia arriscar que ela se matasse naquela fuga.

“Parece mesmo um animal selvagem, essa menina.” Ele confidenciava para si, na perseguição. Teve de admitir que ela tinha uma obstinação monstruosa, quando quase a perdeu de vista, mesmo tendo ela toda aquela sorte de empecilhos. A perseguiu por um caminho muito mais longo do que imaginava, e pensou se aquele seu joguinho de última hora de repente não ia custar caro para seus planos. Começou a ficar nervoso.

Mais tempo depois, sob um pinheiro velho e retorcido, estava agachada Alessandra. Havia percebido a aproximação de seu captor a tempos, e feito de tudo para despistá-lo. Agora não o sentia mais. Bem próximo a ela, havia um riacho bem raso de água corrente que vinha das montanhas. Imaginava, a água estava insuportavelmente gelada, mas se conseguisse atravessar aquilo, conseguiria qualquer coisa, o córrego provavelmente lhe bateria nos joelhos. Atentou os ouvidos para ver se escutava mais coisa, e dando-se por satisfeita, se preparou para a árdua missão. Mal levantou e por trás da árvore quase tombada, o homem lhe pulou sobre as costas, lhe atirando ao chão de bruços. Rapidamente, ele se levantou, e a manteve deitada com um pé sobre seu corpo, na cintura.

Meio esbaforido, falou:

- Te peguei, minha gata selvagem. Agora, meu prêmio e sua primeira lição.

Ele a levantou com força, e colocou por sobre o pinheiro quase caído, com a parte da frente do corpo inclinado sobre ele, os seios dela sendo pressionados contra a casaca morta. Segurando nas algemas em seus pulsos, ele colocou um pé sobre a corrente que prendia os tornozelos da jovem, lhe limitando os movimentos, e bruscamente arrancou a calcinha. Passou um dedo enluvado por sobre sua vagina, seus grandes lábios. Viu-a se umedecer. Não pode conter a surpresa. Teria sido isso fruto da corrida, do frio, ou estava ela excitada?

Ela o sentiu lhe apalpar a parte íntima, e uma rápida excitação. Segurou-se para conter seu corpo, não podia demonstrar aquilo. Sabia o que estava prestes a acontecer... Ficou ali, com as partes intimas expostas ao frio, os seios doloridos, o corpo estremecido. Ele demorou, a tensão aumentou. Ela percebeu que ele fazia mais alguma cosia, até que sua vagina começou a ser violada, penetrada. Um movimento lento de inicio, que foi abrindo caminho. Cada vez mais fundo, cada vez mais buscando espaço. Tão logo atingiu o limite, a fazendo gemer, iniciou o processo de volta. Com o tempo, tal ritmo, sob a neve, começou a ficar mais rápido.

Estocadas cada vez mais rápidas, mais fortes.

Ele a segurou pelo cabelo com uma mão, com a outra apalpou os seios por baixo do corpo da menina, por debaixo do sutiã. Apertou forte, enquanto o orgasmo cada vez mais ficava próximo. Ela não podia nem gritar. Suas mãos apenas se contorciam frenéticas, prisioneiras. De repente, ele vai ao clímax. Alessandra não sente seu sêmen. Ao final do ato, o homem se deita sobre o corpo ferido da jovem. Lhe beija o pescoço, e lhe esfrega o conteúdo de um preservativo sobre o rosto, o sujando todo com seu gozo. Ele havia usado uma camisinha.

Deu uma palmada na nádega dela, mal sentida, já o corpo amortecido pelo gélido da noite. Ergueu-a em seus ombros e começou a carregar pela mata na direção do chalé.

- Hora de ir pra casa, meu bebê. - Disse ele, para uma quase desfalecida Alessandra Maia em seus braços.

Quando ela acordou, estava em seu quarto no chalé. O frio substituído pelo calor da calefação, a dureza da mata pela maciez dos lençóis. O que não havia mudado era seu estado de liberdade. Agora totalmente nua, seus braços estavam bem abertos, presos por algemas, em cada lado da cabeceira da cama. A mesma coisa com suas pernas, bastante afastadas uma da outra, com os tornozelos agrilhoados. Ainda sentia a boca preenchida, e o cheiro seminal ficava bem evidente agora. Percebeu que o liquido tinha praticamente se congelado sobre sua face. Se debateu, lutou contra a prisão, mas apenas feriu os pulsos.

- Ah, estou vendo que já acordou. – Entrou o algoz no quarto acarpetado. - Que bom, quase pensei que tivesse tido uma hipotermia ou coisa assim. – Ele falou calmo, enquanto largava de lado um grande tonel de plástico, o qual carregava. Ele se sentou ao lado dela na cama, agora sem o casaco, trajando uma blusa negra e ainda a mascara. Acariciou de novo seu rosto, no que ela respondeu o virando para o outro lado.

- Ah, esta brava comigo? Por que eu transei com você com camisinha? É que eu tenho motivos de não confiar em você, meu bebê.

Ele ergueu até os olhos dela um papel. Mostrava um exame, com o nome dela e a afirmativa de uma doença venérea.

- Parece que você não é tão certinha, não é? Pegando dessas doenças de adultos... Com que foi? Ah... Que meigo, está com vergonha, está vermelhinha, quase chorando... Foi com algum garoto do seu cursinho? Ou com algum playboy sem nada mais pra fazer? Veja só, quem me deu isso deve ser bem próximo a você. Sei lá, mas essa pessoa deveria te preocupar mais do que eu.

Ele se levantou, arriou as calças, e ela pode ver seu pênis duro. Ele, rindo alto, começou a colocar um preservativo. Logo em seguida, se deitou sobre ela. E novamente a penetrou forte. Novamente seu pênis abusou da genitália da garota, sentido-a torcer e contrair. Ficou bem próximo ao rosto dela com sua boca, respirando forte, gemendo. Ela sentia o odor do hálito dele, via seus olhos muito azuis.

Ele a agarrou pela cintura e forçou o corpo dela a rebolar, sua vagina contendo seu pênis grosso. Movimentou-se de forma que ela se sentisse totalmente preenchida. Novamente a dominou sexualmente, novamente ejaculou, e novamente despejou sobre o rosto dela o liquido proveniente de seu prazer.

- Que linda você fica com a cara toda melada! – Mas têm algumas coisas mais que eu quero fazer com você. Mas preciso que você esteja sem a mordaça. Como sei que você vai gritar, tenho uma tática boa.

Terminando de ajeitar a sua roupa, ele busca do balde, erguendo-o, despeja de seu conteúdo sobre o corpo dela. Barriga, pernas seios. O que ali cai é gelo picado e neve. Novamente o choque térmico se abate sobre o corpo da garota, que tenta inutilmente e desesperadamente se livrar do cárcere pessoal. Após o ato, ele abre a janela.

- Vou desligar a calefação e te deixar aqui por um tempinho, está bem? Quando voltar, negociamos.

Passam-se, ela não sabe, minutos ou horas. Só ouve o tilintar das correntes das algemas batendo contra as grades, devido aos seus tremores violentos. Usando de toda sua força de vontade para não perder os sentidos, o que seria fatal naquele frio. Ele volta encasacado, com um canivete na mão. Passa a lamina de leve sobre sua pele, sobre o seu seio, sem cortar nada, apenas para causar angústia. Depois, passa com cuidado sobre a mordaça adesiva, a retirando. Alessandra cospe para fora a calcinha, batendo forte os dentes de frio, sem nem conseguir falar.

- Se me obedecer direitinho, eu te deixo um pouco mais livre. Se não, vou te deixar um tempão do jeito que está, compreendido?

Ela fez que sim com a cabeça. Ele murmurou “...ótimo”.

O seqüestrador antes de tudo envolveu o pescoço de Alessandra com uma coleira canina de couro. Presa a esta, uma corrente na guia. Depois disso a soltou das algemas, ajudou a levantar, e prendeu novamente os pulsos atrás. Ela praticamente não resistiu quando ele a carregou pela casa até o banheiro, de onde se escutava o barulho do chuveiro ligado e se via o vapor quente da água levantar. A pele da jovem estava praticamente azul.

Deixando-a de pé, embaixo do chuveiro, ele a banhou. Ainda vestido, ela algemada, ele ensaboou seu corpo, a água quente substituindo o frio intenso. Por trás dela, ele esfregava a esponja em seus seios, em suas coxas, por sobre a vagina, e sorria. Sabia que ela estava totalmente a sua mercê. Que era humilhante para ela ser tratada assim. Que a fera se obrigava a ser dócil. Não era mais caçador. Era domador. Fez questão dela sentir o volume de seu pênis por sobre as calças. Ordenou que ela apalpasse, que massageasse. Sem opções para a moça, teve o que queria.

Após a seção de banho, ele a secou com toalha quente, viu a cor retornar à bonita pele de Alessandra. No amplo banheiro, ele soltou dos pulsos as algemas. Segurando a corrente, encostado na porta, apontou o vaso sanitário, sobre a tampa havia algumas peças de vestuário e um par de calçados elegantes.

- Se vista bem bonita para mim.

- Não.

- Agora. – Ele puxou a corrente. Ela sentiu-se enforcada.

- Ou vai voltar a ser presa, só que desta vez, lá fora.

Contrariada, constrangida, ela vestiu as peças.

Tiveram uma versão pitoresca de um jantar romântico. Ela, vestida do jeito que ele mandara. Novamente meias 7/8 presas por cinta-liga, calcinha sensual e um corpete de renda, tudo em cores negras. Luvas longas a adornavam os braços, os sapatos scarpins com salto de 14 cm, fino feito agulha. Ele havia a obrigado, também, a por maquiagem. Batom vermelho e tudo o mais que se espera. Ela, mantendo-se ajoelhada na frente de uma mesinha, a coleira incomodamente apertada em seu pescoço. Ele, sobre o sofá, assistindo a grande Televisão da sala. A lareira crepitando.

Passou-se algum tempo. Tudo que ele fazia era mandar de vez em quando um sorriso malicioso, entre uma notícia e outro de jornal, entre um lance e outro do jogo. Também, vez ou outra, roçava de seus pés sobre os seios apertados no corpete. Pelo combinado, ela não podia falar. Tinha apenas disponível uma garrafa de água mineral, enquanto ele sorvia de bebida cara e lanches fartos.

Apesar de querer parecer frio e calmo, o homem não se agüentava de excitação. Mesmo mantendo os olhos na tela, eles buscavam sempre, sorrateiramente, o corpo de Alessandra. Metida naquelas roupas, estava ela deslumbrante. Insuportavelmente sexy.

“Maldito tesão”

Não resistiu mais. Desligou a TV, ligou uma música pelo controle. Puxando da corrente, ordenou que Alessandra lhe fizesse uma performance sensual. Claro, de inicio ela negou. Quase gritou, não de medo, mas de raiva. Uns puxões de coleira e umas ameaças depois, ela teve de se mover ao som da música, teve de dançar para ele. A corrente esticada entre os dois, dominando o pescoço da mulher.

Ela tirou primeiros as luvas, uma com a boca, outra com a mão livre. Logo depois, desprendeu as ligas, e começou a desabotoar os botões frontais do corpete. Ele queria deixar ela se humilhar mais, mas não agüentou. Avançou sobre a moça, a colocou sobre a mesinha, de bruços. Usando de cordas desta vez, que estavam com ele o tempo todo, amarrou seus pulsos nos pés do móvel. A mesma coisa com os joelhos, deixando as pernas dela bem aberta naquela posição. Ele lhe retirou um sapato e começou a beijar as solas por cima da meia fina, daqueles pés brancos e delicados. E foi beijando as pernas torneadas, levemente bronzeadas. Beijou as coxas, arrancou calcinha com os dentes. Desta vez mirou o pênis, novamente protegido (afinal, ele não queria pegar nenhuma doença, pensava...) ao seu ânus. E sem piedade, afastando as nádegas lisas com as mãos, arremeteu. Ela, com o movimento inesperado, gritou, de surpresa. E sentiu ser possuída na região intima Sentiu os movimentos dele, de vai e vêm, enquanto o pênis intumescido lhe penetrava na região anal. Ele gozou muito rápido por ali ser bastante estreito e oferecer resistência maior a sua entrada. Tão excitado que estava, quis repetir a dose, mas precisava recuperar o fôlego.

Pegou um grosso consolo de vinil, negro, de sua mala, o qual trouxe para experimentar nela.

- Abra a boca. – Ele apertou seu queixo e a fez chupar aquele instrumento sexual. Quando estava todo tomado de saliva, foi para a parte de trás e o introduziu em sua vagina. Ao sentir novamente o pênis ereto pela cena, voltou a carga ao ânus. Alessandra teve de suportar os dois orifícios preenchidos. Mesmo esforçando-se para não, ela também gozou. Ele nem percebeu, preocupado que estava com seu próprio prazer.

Após o fim de tudo, ele caiu exausto ao tapete da sala a deixando amarrada naquela posição, o membro de vinil ainda lhe enfiado nas partes intimas, o qual, ela, com certo esforço, expulsou de seu corpo. Quando ele levantou e viu aquilo no chão, falou sério:

- Quem disse que era para você tirar? – Se levantou, e usando de um cinto, a chicoteou as nádegas forte, deixando vergões vermelhos e gritos pela sala.

- Pare de gritar. E agradeça a cada chicotada, e a quem lhe aplica, chamando de senhor. Ou te jogo no rio, nua e amarrada.

Essas palavras surtiram efeito. A cada batida forte, a cada silvo do cinto no ar, se ouvia um “Obrigada, senhor...” lamentoso. Ao terminar aquela seção, ele acariciou o rosto dela. Limpou as lagrimas com os dedos.

- Já chega. Você aprendeu sua lição. Mas se precisar, eu te acho de novo. E da próxima vez, serei ainda mais rígido. Substituiu as cordas por algemas e a deixou naquela posição na mesinha, os joelhos bem amarrados. Recolocou as fitas adesivas em sua boca. Deixou duas pedras de gelo bem grossas na frente dela.

As chaves das algemas estão aí dentro. Pelos meus cálculos, deve demorar umas três horas até derreter. Eu cortei os fios telefônicos e consumi com seus celulares. Quando estiver livre, creio que você pode se vestir de forma decente e ir andando até aquele posto de socorro, já que inutilizei seu carro. Estarei já muito longe.

Ele a cobriu com uma colcha, e lhe deu um beijo na testa. Havia cumprido sua missão. Tirava ainda uma foto dela, daquele jeito, os olhos cansados e humilhados. Havia tirado muitas fotos na verdade, dela presa, nua, violada; com uma câmera de alta tecnologia cedida por seu contratante, o qual queria, claro, provas do ato criminoso contra o corpo jovem e belo de Alessandra.

Saiu da casa, fechou a porta, se dirigiu para seu snowmobile escondido na vegetação e foi embora, sem deixar maiores rastros. Pouco tempo depois, era um homem loiro, de olhos azuis, de porte galante, trajando terno e sobretudo de couro e pele, com um sorriso no rosto, sendo atendido em um guichê de aeroporto.

- Boa viajem, senhor Monteiro. – Falava a recepcionista chilena em português, com forte sotaque castelhano.

Pablo Monteiro agradecia e pegava a passagem de volta ao Brasil. Se achando o máximo.

Era predador.

Ali terminava sua missão. A sua vitima estava com a mente destruída. Castigada e abusada.

Dois dias depois, Pablo vai até a construção decadente que abrigava o estúdio onde pela primeira vez encontrar o contratante, pegar o restante do dinheiro e entregar as fotos. Ali na hora, pensou em salvar elas para sim também. O troféu do caçador. Afinal, eram a prova da coisa mais emocionante que tinha feita até agora. Da mulher mais deslumbrante que havia passado por suas mãos. E olha que não era homem feio, muito pelo contrário. Já havia conquistado mulheres bem belas. Mas Alessandra, além de bonita, tinha aquela selvageria nos olhos, misturada com juventude. De certa forma, tinha se apaixonado por ela. Quem sabe não se aproximava agora, de maneira normal? Havia disfarçado bem a voz quando com ela falava. Iria colocar umas lentes de contato de outra cor. Ah, iria conquistar ela, sim. Como um predador mais sutil.

Pensava tudo isso quando percebeu que as fotos, no cartão de memória recém saído da máquina fotográfica para seu notebook, eram apenas telas em azul e mensagens de erro. Ficou bastante apreensivo.

“Maldição! Uma máquina cara dessas e me dá defeito em todas as fotos... Que porcaria. Como é que eu vou provar para aquele puto que eu tracei a garota? Droga...”

Enquanto subia as escadas do prédio velho, pensava, “Que se dane, fico com a parte que já ganhei. E prêmio maior vai ser ganhar aquela gata depois do que fiz com ela. Isso não vai ter preço.”

Quando chegou no corredor certo, viu um homem de casaco e terno olhando a porta. Não era o mesmo que lhe havia contratado. Estranhou. O homem lhe dirigiu um olhar inquisidor.

- Senhor Pablo Monteiro?

- Sim, sou eu. O que quer? Veio me pagar?

- Bem, senhor, na verdade eu vim lhe “pegar”. Pablo Monteiro, você está preso. A constituição lhe garante o direito de...

Pablo, no susto, tentou correr enquanto o policial lia seus direitos, escada abaixo, apenas para ser seguro por dois policiais fardados que haviam entrado logo após ele. Após empurrões e palavrões, já algemado e sendo arrastado para a viatura na rua, ele gritou sem pensar muito:

- Olha, não foi minha culpa, eu não sabia o que estava fazendo. O cara do estúdio me ameaçou para eu fazer esse serviço, eu não sabia que iria ter de estuprar ela, foi uma armadilha....

- Estupro? Quem falou em estupro? Você esta preso por inúmeros atos ilícitos e golpes, como demonstraram documentos que chegaram por denúncia anônima. Mas que bom que tocou nisso. Pelo visto, vamos ter mais algumas coisas para arrancar de você.

O sangue de Pablo gelou. Um turbilhão passava por sua mente. Mal ouviu um dos policiais falar algo como “Se é estuprador mesmo, vai descobrir o que fazem com tipos assim na cadeia”.

Pablo era presa.

Mal sabia ele que quando deixou Alessandra no chalé, demorou alguns minutos apenas para a moça, perdendo a paciência com o gelo que derretia, se debatendo bastante, quebrar as pernas da mesa que lhe prendiam as algemas nos pulsos. Após se libertar, tomar outro banho, e vestir um roupão, a moça calmamente, ao invés de procurar ajuda ou coisa assim, foi até a geladeira, procurar alguma coisa pra comer. Depois, pegou um celular Iridium, via satélite, o conectou em um dos seus notebooks, e conversou com seus pais por videoconferência, afirmando que estava tudo bem e que as férias estavam indo direitinho. Depois, conversou com mais algumas amigas, sobre assuntos banais. Falou até descontraidamente sobre sexo anal. Por fim, ligou para uma agência chilena e solicitou outro carro, que o primeiro estava estragado. Eles prometeram a entrega no dia seguinte.

Sossegada e exausta, comeu sorvete (nunca engordava, mesmo...) com calda quente, assistiu TV e sorriu antes de dormir. O plano tinha saído brilhantemente bem.

Nunca Pablo deveria ter duvidado quando olhou naqueles olhos castanhos intensamente claros, quase amarelos, quase felinos. Nunca deveria ter achado o contrário...

Alessandra Maia era predadora.

Uma semana depois a garota chegava em um dos escritórios da família, ultimo andar de prédio do Rio de Janeiro, final de expediente, de salto alto, calça social e tailleur elegante. Cumprimenta todos os funcionários de forma muito cordial e simpática. Apesar de ser uma garota mimada até certo ponto, de temperamento forte e que sempre da um jeito de ter o que quer, ela nunca se fez superior aos outros por ter dinheiro ou algo do gênero. Sempre tratou os empregados como iguais, com simpatia e irreverência.

Passa por uma faxineira de meia idade, lhe da uma leve palmada carinhosa na nádega, dizendo.

Elmira, você emagreceu! Está com tudo em cima, hein? Conquistando muito, minha linda?

A mulher lhe devolve o, o cumprimento. Finge que tenta acertá-la com a vassoura, no que Alessandra sai correndo e rindo. Elmira vai pensando amistosamente “Eta, menina espoleta. Guria mais simpática, vai se dar bem na vida sem precisar muito da grana dos pais” e sorrindo.

Mas claro, Alessandra têm aquele ser lado negro. Sua diversão não pode ser trivial. Têm que ser algo memorável. A mesma coisa com o sexo. O melhor é aquele intensamente arriscado.

Alessandra, certa vez, estudando as finanças de uma das empresas de seu pai, descobriu que os fundos que estavam destinados a caridade estavam sendo desviados. Investigou mais um pouco e descobriu por trás disso um contador, golpista e estelionatário. Pablo Monteiro. O sujeito era do tipo que não pensava duas vezes em dar um golpe financeiro, por exemplo, em um aposentado. Ela acabou conversando com várias pessoas lesadas. Sentiu que deveria fazer algo, contratando detetives e reunindo provas por conta, até montar um excelente arquivo. Tudo pronto para mandá-lo pra cadeia, ela viu uma foto dele em arquivo. Bem bonitinho, pensou. Do tipo que deve usar a beleza em seus golpes. Do tipo que uma garota esperta usa para seus fins.

Seu motorista, Gonzalo, era dela cúmplice. Ele chegou ao pais com a família, foragido devido aos seus ideais políticos. Certo dia, filho doente e desesperado, ela o pegou roubando prataria da casa. Ao invés de entregá-lo ela o ouviu. O seu choro, o seu desespero. E o ajudou, bancando custos hospitalares, um emprego melhor, um salário bem maior. Isso quando ela só tinha dezesseis. Desde então, ele se tornou fortemente leal a garota. Foi ele quem procurou Pablo aquele dia. Entregou-lhe a câmera com cartões de memória adulterados. E exames falsos de DSTs, um detalhe que Alessandra pensou, para fazer o meliante usar preservativos quando dela “abusasse”. Afinal, ele mesmo poderia ter dessas coisas, ela não podia arriscar demais... Mas nem Gonzalo conhecia todos os detalhes do que Alessandra tramava. Para ele, sua jovem patroa estaria esperando com a policia, no chalé.

Alessandra gostava de sexo sadomasoquista. Mas gostava da fantasia o mais real possível. E gostava ainda mais quando um plano bem bolado dava espetacularmente certo. Assim como nos esportes, precisava sentir o coração batendo a mil. A adrenalina.

Pousou sua pasta sobre uma escrivaninha. Já estava escurecendo, o por do sol se fazia belo por trás da ampla janela. Olhou as correspondências, uma lhe chamou a atenção. Um envelope de papel cartão, com a silhueta de uma rosa. Abriu.

Nele, uma pétala vermelha. Um aroma igualmente rosáceo. Um foto mostrando Pablo pegando um avião, outra dele sendo preso. E um carta.

“Que bom que gosta de jogos arriscados, minha preciosa. Mas esse jogo é melhor de ser feito entre dois bons jogadores... Que comecem então, os jogos.

Um certo Sádico."

Alessandra ficou atônita. Quem era ele? Como sabia? O que significava

Cheirou de novo a carta. Coração a mil.

E sorriu. A adrenalina....


P.S.: Sádico, uma pequena homenagem. Ainda terão melhores.


Escrito por Hella.

2 comentários:

Hella disse...

Hmm. Essa imagem combina bem com a Alessandra, que sempre têm um recurso oculto...

Esse conto demorei para escrever, um ou dois paragráfos por dia. Ah, sou mesmo ruim com seqüencias temporais.

O que mais a dizer?

Ayeska, eu sou presa. Você, é predadora.

Beijos e beijos.

Ayeska disse...

Oi Hella! Que bom que gostou da imagem, foi escolhida a dedo.
Eu Predadora? rsrs
Hella meu anjo estou esperando a sequencia de "Demônio", viu?
Bjs doces Mil!!!