sábado, 17 de abril de 2010

Entre Poesias e Ondas




Amor é fogo que arde sem se ver

É ferida que dói, e não se sente.

Aos meus 13 anos de idade, isso a 6 anos atrás, a poesia e a cultura começavam a me fazer a cabeça. Eu lembro, era uma garota extrovertida, magrela, a mais alta da sala, mais até que os meninos. E era uma romântica. Sonhando e fazendo poesias. Nessa época da infância querida, havia, dissonando dentre tantas coisas de boa lembrança, Léo. Um primo o qual eu não suportava. Um pirralho, um ano mais novo que eu, cabelos castanho-escuros sempre desajeitados, meio sardentinho, agitado que ele só. A única coisa que nele eu gostava de ver eram os olhos, tão azuis que deixavam tonto quem os olhasse por muito tempo. Vivia me importunando, fazendo das brincadeiras bestas de meninos. Meus cabelos, sempre longos, sofreram com seus puxões provocativos e inesperados. Eu tinha de aturá-lo naqueles feriados onde a família toda se reunia, na casa de algum tio ou da avó...Eram uma candura, uma doçura aqueles tempos, me faz saltar o coração só com a nostalgia de escrever essas palavras. Exceto pelo Léo. Lembro bem de um certo feriado natalino, esse de seis anos atrás, onde eu, após muito ter me divertido, na expectativa da virada para o dia 25, fui relaxar em uma poltrona da grande sala da casa dos avós.

Estava com vestidinho branco, lindo, laço no cabelo, toda perfumada, lendo um livro do Camões. No meio do “...esta foi a celeste formosura, Da minha Circe, e o mágico veneno...”, o esquisito e inconveniente do meu primo Léo derramou uma taça de vinho em cima de mim, manchando o vestido branco e o precioso livro de Camões que achei na estante. Nunca eu tinha me exaltado tanto com ele. Em lágrimas, eu disse tudo o que estava guardando, também aos gritos. Só lembro-me dele parado, face lívida e pálida, sem o costumeiro sorriso de moleque.

Depois daquele feriado, a família de Léo haveria de se mudar de estado, em virtude do trabalho de seu pai. Então eles não apareceram mais nas festas e feriados. Eu me senti aliviada, chega de Léo me importunando nesses encontros. Só um pouquinho de peso na consciência por em nosso último encontro eu lhe ter “soltado o verbo”. Afinal, tudo o que começa com raiva, acaba em vergonha, já dizia Benjamim Franklin.


Seis anos depois daquele certo natal se avizinha o ano novo. Os costumeiros encontros haviam perdido força nos últimos anos, mas meu pai, em intenção de reascender as chamas das relações familiares, resolveu chamar a todos para passar a virada em nossa nova casa na praia. Eu já com meus 19 anos, cursando faculdade, me empolguei pouco com a idéia, mas achei que seriam bons uns momentos perto do mar, o Mar que ganhou o abismo e o perigo, mas que espelha o céu. Minha mãe, conversando comigo, me disse a certa altura:

- Ah, seu primo Léo vêm passar conosco, lembra dele? Aquele que você quase ensurdeceu na casa dos avôs, lembra?

- Mal e mal – Respondi, virando os olhos, meio que fazendo pouco caso. Agora adulta, ainda me fazia ferver o sangue aquele nome, mesmo eu o tendo visto pela última vez aos 12 anos dele, o pobre diabo. Lembranças da infância, às vezes, marcam mais que ferro em brasa.

Surpreendi-me, quando, casa cheia, em uma tardezinha de verão, o sol beliscando o horizonte, chega a família do Léo. A sua irmãzinha que eu não conhecia, pai e mãe, e ele, que eu também não conheci de repente. Só vi um rapaz alto, de cabelos desgrenhados, mas não por falta de cuidado, e sim feitos a uma maneira proposital e charmosa. Seus olhos ainda poderosamente azuis. Seu corpo, não mais franzino, e sim bem delineado e trabalhado. E um sorriso na face. Não mais zombeteiro, mas espontâneo, agradável, gostoso. Eu até levei aquele choque costumeiro de quem não vê alguém há muito tempo, e quando esse alguém reaparece, você não mais reconhece, tamanha a mudança, mais forte caso ainda no caso das crianças.

- Nossa, que moça linda você se tornou, Andi (o diminutivo carinhoso de Andressa) – Dizia o meu tio. – E não seguiu carreira de modelo? Você continua mais alta que o Léo.

- São os saltos, pai. Hoje, acho que somos da mesma altura. – Disse o meu mudado primo, enquanto me abraçava, em resposta ao elogio do seu pai a mim. Mas era verdade, eu estava com uns bons saltos.


Durante as conversas, os passeios com outros primos, irmãos, tios, etc; e tantas outras coisas mais naquela cidade litorânea, confesso que não tirava os olhos dele. E desta a vez, ao contrário de tantas outras, ele poucas vezes me dirigia a palavra. Tão pouco conversávamos. Eu esperava ver um jovem inconseqüente, e estava vendo um rapaz muito bem articulado nas palavras, muito educado e culto, conhecedor de livros e vinhos, e filmes do Bergman e do Kurosawa. Passou pela Nova Zelândia e pela Espanha, contava ao meu irmão. Eu escutando de canto.

Durante o jantar, coincidentemente, eu estava de vestido branco. Família toda reunida. Recontando histórias do passado. Alguém falou do dia em que exasperei com o Léo. Ele sorriu.

- E você, com esse vestidinho branco, agora. Mas nem se preocupe, dessa vez eu vou me cuidar. – Ele disse.

Eu fiquei vermelha e respondi um tímido “Tudo bem”, desviando o olhar.

- Aquilo foi no natal – Alguém falou, nem vi direito quem. Agora é véspera de ano novo. Ele tem que derramar champanhe. – Todos riram.

- Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos... – Falou meu primo Léo. Sim, eu pensei...ele estava citando Camões! Uma frase do lusitano. Isso para coroar o quão surpresa eu havia ficado com a mudança dele.

Era um dia antes da virada do ano. Naquela noite após o jantar, pela madrugada, resolvi ir tomar banho de lua no telhado da casa, reto, por onde eu subia com certa habilidade pela janela de um quarto. Os outros, ou dormiam, ou haviam saído para alguma festa, no caso dos mais jovens. Eu quis apreciar o silêncio e o barulho ondino das rebentações marítimas. Estava com um shortinho jeans azul, e biquíni vermelho, cabelos presos em um rabo de cavalo, deitada a uma esteira artesanal, olhando o céu. Quando ouço, então, uma voz.

- Oi prima. E as estrelas? – Era o Léo, subindo ali pela varanda, de calção e camiseta.

- Ainda ali. E você? Pensei que havia saído com os outros. – Falei tentando parecer descompromissada, mas o coração palpitando um tanto mais forte.

- Resolvi descansar um pouco. Não se importa se eu ficar aqui um pouco? Se quiser eu saio...

- Não, tudo bem. Pode até pegar um lado aqui da esteira. – Eu lhe falei, deixando um espaço, ao qual ele chegou.

Conversamos várias coisas. Rimos baixinho. Ele falava bem humorado sobre o quanto era impertinente. E eu comentei o quanto ele havia mudado.

- Gostou do que viu? – Ele perguntou.

- Por quê? – Foi a minha resposta. Irônico que sempre detestei responder perguntas com perguntas.

- Porque você foi o motivo da minha mudança. Sabe, quando éramos pequenos, eu era meio apaixonado por você. Na verdade, você foi minha primeira paixão. Uma menina linda, alta, perfumada...Só que, bem, quando criança, essa paixão eu demonstrava te importunando. Garotos são mesmo uns bestas, né?

Eu estava pasma após a revelação. Então por isso ele não largava do meu pé. Uma paixãozinha infantil.

- Eu...Não sei o que dizer, Léo. Eu também era uma cabeça de vento, e nem percebi nada.

- Que nada, você sempre foi tão inteligente. Aquele dia eu consegui filar uma taça de vinho da mesa e queria te levar, mas me atrapalhei e deu no que deu. Quando você me deu a bronca, eu quis tanto que você gostasse de mim que resolvi mudar. Comecei lendo poesias. A primeira foi daquele livro do Camões. Até hoje têm a mancha de vinho, bem na página da Circe... Posso dizer que esses anos você foi a minha Circe.

Ficamos em absoluto silêncio. Eu prendendo a respiração até o fim. Percebi-o também tenso. Até que ele começou a murmurar:

Os cabelos, castanhos cor de trigo, esvoaçando ao vento amigo.

Os olhos esmeralda em cor, doces em sabor.

Os cabelos dela, longos e brilhantes, denunciam batidas dos corações

Amantes.

A pele branca, macia, cheirosa, eu só posso equiparar a pétala mais bela da mais bela rosa.

Seu corpo, miragem que vêm do canto de uma ninfa, de uma sereia, de
uma fada, de um querubim.

Eu queimando em brasa, desejando, sonhando, apenas querendo sentir

sua pele, seus cabelos, seu perfume, um pouco mais perto de mim.

Ele parou.

- Eu fiz esse poema perto daquela época, em sua homenagem. Eu sei que é bem fraquinho, mas é que eu não sou muito...

Sem o deixar terminar a frase, eu me virei, subindo quase em seu corpo. E o beijei a boca, primeiro os lábios, depois, deixamos nossa língua explorar, uma a boca do outro. Eu lhe segurava o rosto, ele, minha cintura. Eu lhe beijava forte o pescoço, enquanto ele me acariciava a nuca. Sobre o corpo dele, as pernas de cada lado, me levantei. Enquanto Léo me olhava, eu retirava a parte de cima do biquíni, expondo a ele meus seios, os quais ele segurou com delicadeza. Eu fiz meus cabelos, longos e brilhantes, castanhos da cor do trigo, como ele dizia, roçarem em seu peito, enquanto eu lhe beijava o tórax definido.

Em dado momento, Léo sentou e me colocou sobre seu colo, de onde me começou a beijar os seios, e eu coloquei a mão por dentro de seu calção. Lá, eu segurei em seu membro rígido, grosso, e comecei a massagear com entusiasmo, sentido ele se dilatar mais e mais dentro da minha mão, tirando-o para fora da roupa. Quando estávamos suspirando alto, eu fiquei de pé e vagarosamente baixei o shortinho até tirá-lo todo. Léo se encarregou de tirar o restante do biquíni. E da posição onde estava, meio agachado, começou a me fazer o melhor sexo oral que eu já havia experimentado. Massageou meus grandes lábios com beijos, enquanto seus dedos habilidosos me estimulavam o clitóris. Penetrou minha vagina com sua língua, em movimentos rápidos e ritmados, e vez ou outra sorvia, sugava o clitóris, quando dali seus dedos deixavam para explorar melhor meu corpo. Eu me segurava para não gritar.

Quando estava toda lubrificada, ele sentindo meus líquidos em sua boca, eu percebendo seu pênis em total estado de ereção, lhe empurrei os ombros para que ele se deitasse. Quando o fez, comecei a descer meu sexo em direção ao seu membro ingurgitado, usando minha mão para firmá-lo na posição certa, até que fiz com que ele me penetrasse, cada vez mais fundo. Devidamente prontos, eu o cavalgava praticamente, feito amazona, e ele mexia-se como podia para me fazer sentir tudo o que havia lá dentro, me segurando forte pela cintura, me ajudando os movimentos.

Não era dos locais mais apropriados. Era um telhado, afinal. Quando estávamos próximo ao clímax, ele ficou de pé, me elevando com as mãos, eu deitada, meio inclinada, meio suspensa no ar. A penetração atingiu seus níveis mais profundos. Se movimentado e estocando firme, segurando forte minhas coxas. Nos já havíamos deixado a preocupação de lado e gritávamos com as ondas, de prazer. No vai e vêm constante, eu minha vagina ficou tão preenchida e tão sensível que pude sentir cada veia dilatada, cada volta do formato de sua virilidade. Atingimos um clímax sensacional, praticamente juntos. Eu senti ele ejacular dentro de mim, seu sêmen me invadindo todo interior, se misturando aos meus próprios fluídos, os espalhando em volta quando ele retirou sonoramente de dentro de mim. Ele me pousou com delicadeza, e se deitou por cima de mim, me beijando a boca, apaixonadamente.

Quando eu estava ainda voltando a mim, depois do orgasmo, ele começou a explorar de novo meu corpo com a língua, a fim descobrir minhas outras zonas erógenas. Após algum tempo, desta vez deitados, recomeçou o sexo oral em mim, até recuperar as energias para mais um rodada. Foi extasiante. O poema do Camões fala sobre contentamento descontente. E sobre tantas outras coisas contrárias, um exercício de antíteses. Na hora eu formulei algo assim;

Suave firmeza

Robusta delicadeza

De mãos fortes, mas frágeis toques



Calor que desperta em estupor

Corpos que se entrelaçam

E olhos que por cada volta deles, passam.

Era quase manhã quando desci escondida para meu quarto. E Léo correu para o mar, para nadar e dar uma disfarçada. Naquela virada do ano, quando vimos fogos refletirem no mar, multicoloridos, estávamos abraçados, se aconchegando um no outro, mas de uma forma ingênua, não erotizada, para ninguém notar algo de errado. O que aconteceu depois? Outra história.

E como diria o poeta de além mar:

“Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade;

Se tão contrário a si é o mesmo amor?”



Escrito por Hella

2 comentários:

Hella disse...

Ayeska, lembra que te falei que coloco um pouco de mim em cada dessas personagens? Apesar dos contos BDSM tresloucados, acho que essa é a personagem que mais tem de mim...

É uma honra ter conto no seu blog. Digo e repito.

Te adoro, mais e mais.

Hella

Selene disse...

Hella, querida...voce é uma pessoa maravilhosa!
Escreve maravilhosamente bem, é gentil e a cada dia que conversamos; mesmo por recadinhos,além de sua fã estou te adorando também!!!

Bjs doces querida e a honra é toda minha!

Ayeska@